Elenco de Dublagem - Desenhos Matérias

Quick Draw McGraw

Pepe Legal

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:

Older Cazarré e Waldir de Oliveira

ESTÚDIO DE DUBLAGEM:

AIC - São Paulo

MÍDIAS:

Televisão

Elenco Principal

A Dublagem

Entre a segunda metade dos anos 50 e os agitados anos 60, a Hanna-Barbera Productions consolidava sua posição como maior fábrica de personagens da TV mundial. Foi nesse período que surgiu Pepe Legal (Quick Draw McGraw), o cavalo xerife do Velho Oeste que fazia rir justamente por sua falta de jeito.

A série estreou em 29 de setembro de 1959 e se estendeu até 3 de setembro de 1966, rendendo 45 episódios divididos em três temporadas. No Brasil, o desenho desembarcou no início dos anos 60 e rapidamente ganhou popularidade, em grande parte graças ao trabalho magistral da dublagem paulista.

 

Entre faroeste e pastelão: produção e enredo

Criado por William Hanna e Joseph Barbera, Pepe Legal satirizava os velhos filmes de bangue-bangue que lotavam os cinemas e a TV americana da época. Ao contrário dos pistoleiros ágeis e destemidos das matinês, o protagonista era um cavalo xerife atrapalhado, cuja ineficiência abria espaço para situações hilárias.

Em cada episódio, Pepe enfrentava vilões do Velho Oeste, sempre acompanhado de seu fiel escudeiro Babalú (Baba Looey), um burrinho mexicano leal e de coração enorme. A dinâmica lembrava a de clássicos pares cômicos: o herói que não é tão heróico assim e o ajudante que, muitas vezes, demonstra mais bom senso que o chefe.

Além de seu segmento próprio, o programa ainda incluía Jambo e Ruivão e Dom Pixote, compondo um bloco variado que consolidou a Hanna-Barbera como sinônimo de humor animado na televisão.

 

Do Oeste americano à TV brasileira: chegada e trajetória

No Brasil, O Show do Pepe Legal chegou no início da década de 60 e logo foi incorporado à rotina das crianças. Exibido em diferentes horários e emissoras ao longo dos anos, tornou-se um dos pilares da primeira leva de desenhos da Hanna-Barbera em terras brasileiras.

Assim como aconteceria com outros títulos do estúdio, a adaptação de Pepe Legal foi fundamental para a sua popularidade, pois preservou o espírito do original mas lhe deu sotaques, entonações e um carisma únicos em português.

 

O charme das vozes: a dublagem brasileira

A versão brasileira foi realizada pela AIC – São Paulo, entre 1962 e 1963, com direção dividida entre Older Cazarré e Waldir de Oliveira. Os dois não apenas coordenaram o trabalho como também emprestaram vozes a diferentes personagens, reforçando a atmosfera descontraída da produção.

A escalação dos protagonistas foi um acerto absoluto: David Neto deu vida a Pepe Legal com uma interpretação carregada de pausas e inflexões que reproduziam o jeito “enrolado” e pomposo do cavalo xerife. Sua voz forte e marcante deu personalidade ao personagem em cerca de 80% dos episódios, até que o ator precisou se afastar para se dedicar à televisão e ao cinema. A partir daí, o papel foi assumido por Amaury Costa, que manteve o estilo estabelecido e garantiu continuidade sem estranheza para o público.

Se Pepe Legal já brilhava, o companheiro Babalú conquistou corações graças ao talento de Roberto Barreiros. Sua interpretação é considerada uma das mais memoráveis da dublagem brasileira: com um sotaque espanhol carregado, simples e divertido, o dublador conseguiu dar ao burrinho um carisma inconfundível. A opção de tornar a fala de Babalú compreensível até para crianças pequenas sem perder a graça foi um toque de gênio que marcou gerações.

Não por acaso, essa dublagem é lembrada como uma das melhores já realizadas nos estúdios pioneiros da AIC. O cuidado em adaptar expressões, manter o humor acessível e preservar a musicalidade dos diálogos faz de Pepe Legal e Babalú um caso exemplar da chamada “era de ouro da dublagem paulista”.

A marca de um cavalo xerife

Pepe Legal permanece como um dos grandes personagens da galeria Hanna-Barbera. Sua mistura de sátira ao faroeste com humor pastelão abriu caminho para outros personagens trapalhões que a produtora lançaria nos anos seguintes.

No Brasil, porém, sua história ficou indissociável da dublagem: para muitos fãs, a verdadeira graça do xerife atrapalhado e de seu burrinho companheiro está no trabalho dos dubladores que lhes deram vida em português. Hoje, rever episódios de Pepe Legal é reencontrar não só um pedaço da televisão dos anos 60, mas também uma das páginas mais brilhantes da história da dublagem brasileira.

Avatar photo
Izaías Correia
Professor, roteirista e web-designer, responsável pelo site InfanTv. Também é pesquisador da dublagem brasileira.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *