Elenco de Dublagem - Desenhos

Felix the Cat

O Gato Félix

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:

Rodney Gomes

ESTÚDIO DE DUBLAGEM:

Sincrovídeo

MÍDIAS:

Televisão

Elenco Principal

Aparições Recorrentes

A Dublagem

Desde sua estreia como estrela dos cinemas mudos em 1919, Félix, o Gato já era um personagem amado no mundo inteiro. Mas foi em 1959, revitalizado para a televisão, que sua fama alcançou uma nova dimensão.

Criada por Joe Oriolo e distribuída pela Trans-Lux, a série televisiva apresentou um Félix redesenhado, com traço mais amigável e voltado às crianças — além da icônica Bolsa Mágica de Truques, que podia assumir qualquer forma e se tornou sua marca registrada.

Produzida com animação limitada e roteiros simples, a série trouxe novos personagens como o Professor, Poindexter e Rock Bottom, todos interpretados por Jack Mercer na versão original.


 

Um Gato e Sua Bolsa Especial

Nos desenhos de Felix o gato chamava a atenção por onde passava por ser uma referência de boa conduta, sempre tratando os que encontrava com muito respeito e gentileza, o tipo de comportamento perfeito para quem queria viver tranquilo, mas inevitavelmente o bichinho costumava se meter em encrencas.

Para se livrar de suas enrascadas o gato tinha sempre à mão outro valioso pertence, uma maleta amarela mágica, que ninguém sabe de onde veio. A Bolsa Mágica (Magic Bag), como era chamada, também tinha a capacidade de assumir a forma de qualquer outro objeto, inclusive de alguns muito grandes, como casas ou meios de transportes, elementos que certamente não seriam possíveis de conseguir apenas com sua calda. Por esse curioso poder, a Bolsa Mágica vivia sendo alvo dos bandidos que tentavam levá-la a qualquer custo.

Entre os malvados que tencionavam roubar a tal maleta estava o vilão Professor e seu comparsa Rock Bottom. De bigode branco e carrancudo, Professor vivia em seu laboratório, arquitetando maneiras de conquistar a bolsa mágica. Obviamente, nem sua mente brilhante e nem a ajuda do cachorrão Bottom, lhe faziam ter êxito, pois Felix era muito esperto.

Não bastasse ter que fugir das armações do Professor, o gato ainda precisava driblar os planos do robô Mestre Cilindro (Master Cylinder), uma lata velha mal-encarada que vivia na Lua buscando maneiras de capturar Felix e sua maleta. Cilindro acreditava ser o “Rei da Lua” e ninguém conseguia controlá-lo, nem mesmo o Professor, que já tinha sido seu mestre.

Felizmente o gato não estava sozinho, ele tinha a ajuda de Poindexter, um garoto cientista com QI 222, que explicava tudo de um modo científico e que ironicamente era sobrinho do Professor; além do amigo Vavoom, que usava o seu poderoso “grito” para ajudar o seu companheiro a escapar das mais difíceis situações, pois ao bradar fortemente a palavra “Vavoom” podia quebrar qualquer parede!

 

Na Telinha Brasileira

No Brasil, O Gato Félix já fazia parte da infância de muitos por meio dos curtas originais, exibidos na Excelsior em 1961, na Globo em 1965 e reprisados posteriormente na Record e na TVS no final dos anos 1970, essa última exibição dublada pela BKS.

Essa familiaridade preparou o terreno para a série completa, que chegou ao país no início dos anos 1980, novamente dublada pela BKS, com Márcia Gomes na voz de Félix — repetindo o trabalho que já havia feito nos curtas.


 

A Magia das Vozes por Trás da Bolsa Mágica

A primeira adaptação brasileira foi conduzida pela BKS, sob direção de Mário Jorge Montini em São Paulo. Márcia Gomes deu vida ao carisma astuto de Félix, imprimindo uma personalidade vocal que tornou-se referência para o personagem entre os brasileiros.

Na década de 1990, O Gato Félix voltou à TV brasileira em uma nova roupagem vocal. O SBT, que buscava renovar seu acervo de animações, encomendou ao estúdio Sincrovídeo, no Rio de Janeiro, uma redublagem completa da série clássica. Sob a direção de Rodney Gomes, essa versão foi responsável por apresentar Félix e sua turma a uma nova geração de telespectadores, com exibição também na TV Gazeta e, alguns anos depois, no canal Boomerang, já nos anos 2000.

José Luiz Barbeito assumiu o desafio de substituir a icônica interpretação de Márcia Gomes como o Gato Félix. Sua abordagem deu ao personagem uma voz mais marcante e ligeiramente mais irônica, mantendo o espírito astuto e criativo do protagonista, mas com uma cadência diferente, mais próxima do humor falado dos anos 90.

Christiano Torreão trouxe frescor e energia a Poindexter, o sobrinho gênio do Professor. Sua voz mais jovem e vibrante destacava ainda mais o contraste entre a ingenuidade do garoto e as armações que se desenrolavam ao seu redor. Já o vilanesco Professor ganhou na voz de Jomeri Pozzoli um tom autoritário e excêntrico, perfeito para o antagonista que, junto de seus comparsas, sempre tentava se apossar da Bolsa Mágica.

O atrapalhado Rock Bottom foi interpretado por Waldyr Sant’anna, cuja experiência em dar vida a personagens caricatos trouxe um toque divertido e carismático ao assistente do Professor. Nilton Valério emprestou um registro mais grave e imponente ao Mestre Cilindro, reforçando o ar de chefia e superioridade do personagem. O peculiar Vavoom, como no original, manteve seu áudio original característico.

Essa redublagem da Sincrovídeo não apenas atualizou as vozes para o público da época, mas também introduziu sutis diferenças no ritmo das falas e na tradução, refletindo o estilo de dublagem predominante nos anos 90. Embora alguns fãs nostálgicos continuassem a preferir a versão da BKS, essa desapareceu e a adaptação da Sincrovídeo garantiu que O Gato Félix permanecesse vivo na televisão, atravessando décadas e alcançando novos admiradores.

Já em 2004, seis episódios foram lançados em DVD com outra versão redublada, agora pela Mastersound em São Paulo — cada adaptação apresentando variantes na interpretação, mas todas tendendo à fidelidade ao espírito original.


 

Uma História Que Se Renova

Mesmo produzido com simplicidade e limitado em recursos, O Gato Félix deixou marca na cultura infantil brasileira, sobretudo pela adaptação vocal impecável que aproximou o personagem dos corações de quem cresceu rindo das suas trapalhadas e aventuras.

A Bolsa Mágica nunca foi apenas um aparato fantasioso; ela simboliza a inventividade e a capacidade de resolver problemas com criatividade — valores que se tornaram parte do legado de Félix no Brasil.

Hoje, lembrar de O Gato Félix é lembrar de uma era em que desenhos transmitiam afeto, humor e imaginação com vozes que pareciam familiares, guiando cada episódio com leveza e presença calorosa. Pode mudar o estúdio, o elenco ou a década — mas, para muitos brasileiros, Félix sempre será a voz encantadora e esperta que lhe ensinou o poder da magia que vem da simplicidade.

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Izaías Correia
Professor, roteirista e web-designer, responsável pelo site InfanTv. Também é pesquisador da dublagem brasileira.

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