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Da Matta e Navas as vozes brasileiras de Bud Spencer e Terence Hill.

Dupla italiana recebeu no Brasil uma dublagem com vozes que casaram perfeitamente com seus personagens.


Quem viveu os anos 80 tem na memória que os domingos na Rede Globo eram marcados pela Fórmula 1, o Fantástico, uma enxurrada de seriados americanos que fizeram história e os Trapalhões. Final de semana tinha que ter o quarteto de humoristas, que se destacava pelo humor pastelão, as brigas circenses e o fato de manter cada um, características próprias independente do papel que estivessem interpretando.

Na segunda metade daquela década, a emissora de Roberto Marinho começou a exibir dentro da faixa intitulada Sessão de Domingo, alguns longa-metragens de Bud Spencer e Terence Hill, que preparavam a audiência para o programa dos Trapalhões, por apresentarem as mesmas características do quarteto brasileiro. E a ligação não parava por aí, a Renato Aragão Produções chegou a produzir o longa Eu, Você, Ele e Os Outros (Non c’è Due Senza – 1984), gravado no Brasil, e a dupla italiana até visitou o programa dos Trapalhões.

Quando ganharam o domingo global, os dois astros, Mario Girotti (Terence Hill) e Carlo Pedersoli (Bud Spencer), já eram conhecidos do público brasileiro, principalmente pelos faroestes espaguete protagonizados pelo personagem Trinity que ao longo da década foram chegando à televisão brasileira.

Da Matta “Hill” e Navas “Spencer”.



Em 1980, o filme Chamam-me Trinity (Lo Chiamavano Trinità – 1970), que já havia alcançado sucesso nas bilheterias brasileiras, chegou à televisão pela TVS, com Nilton Valério e Joaquim Luís Motta dando vozes a Hill e Spencer, num trabalho realizado pela Peri Filmes. Ainda naquele ano a Globo passou a investir nos faroestes italianos e exibiu Trinity Vai à Guerra (La Feldmarescialla – 1967), onde curiosamente se aproveitou da repercussão alcançada pelo filme de Enzo Barboni e colocou “Trinity” no título em português, mesmo que o personagem não tivesse nada a ver com a produção. Nesse, o dublador Newton da Matta assumiu pela primeira vez a dublagem de Terence, numa bem humorada performance como o Prof. Giuliano Fineschi.

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Newton da Matta, todo o humor irônico do Terence Hill na versão brasileira.

No ano seguinte a Globo deu sequência à exibição dos filmes da dupla, naturalmente se aproveitando do nome Trinity as produções continuaram sendo renomeadas no Brasil fazendo referência ao personagem. Trouxe em 1981 Trinity e Seus Companheiros, dentro da Sessão de Domingo, e Dá-lhe Duro Trinity na faixa Primeira Exibição. Num trabalho realizado pela Herbert Richers, Terence Hill continuou sendo dublado por Newton da Matta, mas Bud Spencer recebeu naquela ocasião a voz de Orlando Drummond.

Da Matta fez Terence ainda no filme Mister Billion exibido na Globo em 1983 dentro do horário Grande Estréia que era levado ao ar aos domingos.

Em 1985 foi ao ar dentro da Sessão Western o longa Meu Nome é Ninguém (Il Mio Nome è Nessuno – 1973), mais uma vez recebendo a dublagem da Herbert, o “olhos azuis” já começava a ter a voz de Da Matta como a tradicional brasileira, no entanto Spencer recebeu a digna interpretação de Isaac Bardavid.

Apenas em 1987 quando dentro da Sessão de Domingo a Rede Globo resolveu trazer diversos títulos dos dois italianos foi que Silvio Navas assumiu o jeitão bonachão de Spencer e dividiu a bancada da dublagem com Da Matta por quase 10 filmes.

Quem trabalhou na Herbert Richers na época comenta que os dois dubladores esbanjavam talento loop após loop, muitas vezes sem sequer retocar as cenas. Navas atuando de maneira magistral, fazendo um timbre de voz grave, caricato e paciente para interpretar os personagens de Spencer. Ele embolava as palavras tal qual o ator italiano e quando soltava o berro firme, era difícil distinguir se ouvíamos o áudio original ou dublado.

Da Matta por sua vez era irrepreensível, dando voz ao Hill, irônico e de humor na dose certa, com uma risadinha tão característica do ator que transformou o ato de ouvi-lo no som original algo impensável.

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Entre os títulos estavam: A Dupla Explosiva (…Altrimenti ci Arrabbiamo! – 1974), Dois Tiras Fora de Ordem (I Due Superpiedi Quasi Piatti – 1977), Par ou Ímpar (Pari e Dispari – 1978), Quem Encontra um Amigo Encontra Um Tesouro (Chi Trova Un Amico Trova Un Tesoro – 1981), Dois Loucos com Sorte (Nati Con la Camicia – 1983), Ladrões e Gatunos (Cane e Gatto – 1983), Eu, Você, Ele e os Outros (Non C’è Due Senza Quattro – 1984) e Dois Supertiras em Miami (Miami Supercops – 1985).

Silvio Navas, uma voz grave para chegar próximo do tipo composto por Bud Spencer.

Algumas produções foram protagonizadas por Bud e Terence separadamente, e prontamente a dupla de dubladores esteve no estúdio para emprestar suas vozes. Em Super Snooper – Um Tira Genial (Super Snooper – 1980) Da Matta continua como Hill, mas Navas está na dublagem também, abrindo mão do timbre grave para emprestar a voz a Ernest Borgnine; em Don Camillo (1983) também tem a atuação de Navas no elenco secundário, agora como Cyril Cusack.

Com relação aos filmes solo de Bud Spencer, Navas fez o fortão em Um Tira Enrolado (Piedone d’Egitto – 1980) e Banana Joe (1982), esse último teve uma redublagem em São Paulo que surpreendemente teve no elenco de vozes a participação de Newton Da Matta fazendo como o ator Giorgio Bracardi.

Alguns filmes acabaram ganhando um horário próprio entre os anos de 1988 e 1989. A faixa chamada de Festival Trinity misturava reprises com inéditos como Don Camillo.

Bons tempos em que filmes inocentes e divertidos como os de Bud Spencer e Terence Hill eram produzidos em larga escala e faziam sucesso no mundo inteiro.

 

As vozes…


Terence Hill Newton da Matta
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Bud Spencer Silvio Navas


Izaías Correia
Izaías Correia
Professor, roteirista e web-designer, responsável pelo site InfanTv. Também é pesquisador da dublagem brasileira.

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