Hakushon Daimao - ハクション大魔王
Gênio Maluco
- de 05/10/1969 a 27/09/1970.
- 1 temporada (52 episódios).
- Tatsunoko Production.

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:
?
ESTÚDIO DE DUBLAGEM:
Elenco
MÍDIAS:
Televisão
Elenco Principal






Outros


A Dublagem
Entre as produções mais carismáticas da Tatsunoko Production, o anime Hakushon Daimaō — conhecido no Brasil como O Gênio Maluco — conquistou gerações com seu humor absurdo e personagens inconfundíveis.
Criado em 1969 por Tatsuo Yoshida, o mesmo autor de Speed Racer, o desenho mostrava as desventuras de um gênio atrapalhado que surgia sempre que alguém espirrava, apenas para transformar qualquer desejo em uma catástrofe. Misturando fantasia, comédia física e um visual psicodélico típico dos anos 60, a série encantou o público infantil do mundo todo.
No Brasil, o sucesso foi imediato: o gordinho de bigode e voz engraçada virou um dos personagens mais populares da televisão nos anos 1980 e 1990. Exibido por diferentes emissoras e em várias dublagens, O Gênio Maluco acabou se tornando um ícone da cultura pop televisiva brasileira — lembrado até hoje como um dos desenhos mais nostálgicos da infância.
Magia, confusão e muito espirro
Produzido entre 1969 e 1970, Hakushon Daimaō foi uma das primeiras grandes comédias da Tatsunoko Productions. O anime acompanhava o jovem Kan (batizado de Zeca nas versões brasileiras), que encontra uma garrafa mágica e descobre seu curioso segredo: sempre que alguém espirra, um gênio balofo, estabanado e bem-intencionado surge para tentar realizar desejos — e invariavelmente falhar no processo.
Dentro da garrafa vivem também sua esposa e sua filha, Eppah e Akubi, que aparecem quando alguém soluça ou boceja. As confusões se multiplicam a cada episódio, sempre curtos, com cerca de 13 minutos de duração, e repletos de gags visuais e situações absurdas. A combinação de humor rápido, fantasia e ritmo ágil fez com que o anime se adaptasse perfeitamente à televisão ocidental — onde foi exibido ao lado de produções americanas da Hanna-Barbera, com as quais compartilhava o mesmo espírito anárquico e nonsense.
A trajetória brasileira de O Gênio Maluco
O anime desembarcou no Brasil no início dos anos 1980, em um momento em que a televisão nacional começava a importar uma grande quantidade de produções japonesas. Sua estreia aconteceu em 1º de abril de 1982, às 8h30 da manhã, pela TVS, emissora que mais tarde se tornaria o SBT. Com o título O Gênio Maluco, a animação rapidamente se destacou na programação infantil da emissora, conquistando crianças com seu humor escrachado, vozes caricatas e ritmo acelerado.
O sucesso fez o desenho mudar de casa no ano seguinte: em 1983, O Gênio Maluco passou a ser exibido nas tardes da Record, onde permaneceu durante quase toda a década de 1980. Foi nessa fase que o anime consolidou sua popularidade e entrou definitivamente para o imaginário dos telespectadores. A simplicidade do traço e a comicidade exagerada do gênio se encaixavam perfeitamente no espírito dos programas vespertinos, entre quadros de auditório e outros desenhos japoneses da época.
No início dos anos 1990, a série voltou ao ar através da TV Corcovado, uma emissora do Rio de Janeiro filiada ao SBT (posteriormente parte da CNT). Essa nova exibição reintroduziu o desenho para um público que já o via com certo saudosismo, mas que ainda se divertia com as trapalhadas do gênio e do garoto Zeca.
O retorno mais marcante, no entanto, veio no fim da década de 1990, quando O Gênio Maluco voltou à televisão nacional dentro do programa infantil TV Colosso, na Rede Globo, entre 1998 e 1999. Nessa fase, a série ganhou uma nova dublagem pela Herbert Richers, sob supervisão da distribuidora Saban Entertainment, que havia adquirido os direitos internacionais e rebatizado a produção de The Genie Family.
As vozes do caos — a dublagem brasileira
A dublagem sempre foi um dos maiores trunfos do sucesso de O Gênio Maluco no Brasil. Na versão original dos anos 80, o gênio era simplesmente chamado de “Gênio”, e as vozes seguiam o estilo típico das dublagens da época: interpretações cheias de personalidade, improvisos e um humor muito brasileiro.
As expressões foram adaptadas com criatividade, as risadas e interjeições do personagem ganharam tom de malandragem e espontaneidade, e até os nomes secundários receberam versões abrasileiradas, aproximando o desenho da linguagem infantil local.
O Gênio, personagem central, recebeu a interpretação de Potiguara Lopes, que deu ao balofo e atrapalhado Daimaō uma voz cheia de personalidade, repleta de risadas espontâneas, entonações exageradas e aquela malandragem que fazia qualquer criança se identificar ou rir sem moderação.
O garoto Zeca, curioso e sempre no meio das confusões, foi dublado por Márcia Gomes, cuja voz conseguiu equilibrar a ingenuidade, o entusiasmo e o desespero do menino diante das trapalhadas do gênio. Já a Geniazinha, filha do gênio, recebeu a voz de Thelma Lúcia, que trouxe delicadeza e energia à pequena personagem, criando uma presença cômica própria, capaz de roubar a cena mesmo nos episódios mais curtos.
Os papéis familiares de Zeca também foram fundamentais para a construção do universo do desenho. O vovô, cheio de humor e conselhos inesperados, foi interpretado por Ézio Ramos, enquanto a mãe do Zeca ganhou vida com Nair Amorim, equilibrando autoridade e participação nas confusões. O pai do Zeca, por sua vez, não foi possível descobrir o dublador, e o “homenzinho” que fazia as passagens de cena foi feito por Aníbal Munhoz.
Entre os coadjuvantes mais marcantes, o buldogue, perseguidor incansável do gênio, foi dublado por José Soares, acrescentando uma camada extra de humor físico à série.
Essa primeira dublagem, realizada de forma artesanal, conseguiu capturar não apenas a tradução das falas, mas também a essência do humor japonês adaptada ao gosto brasileiro. O resultado foi um trabalho cheio de energia, risadas genuínas e personagens que, mesmo com nomes simples, permaneceram gravados na memória de toda uma geração.
Um espirro inesquecível
Mais de meio século após sua criação, Hakushon Daimaō continua sendo lembrado como um dos animes mais queridos exibidos na TV brasileira. O gênio gorducho e estabanado, com seu bordão e suas trapalhadas, sobreviveu à passagem do tempo e às várias versões dubladas, permanecendo como ícone de uma era de ouro da televisão infantil.
Em 2001, o estúdio Tatsunoko lançou o spin-off Akubi-chan, estrelado pela filha do gênio, e nos anos seguintes a franquia ganhou novos remakes e homenagens. Ainda assim, para o público brasileiro, nada supera a memória afetiva das manhãs e tardes em que o espirro mágico trazia o gênio de volta à tela.
O Gênio Maluco não foi apenas um desenho animado: foi um retrato de uma época em que bastava um espirro para transformar o dia de uma criança — e, por alguns minutos, o mundo inteiro parecia caber dentro de uma garrafa colorida.


















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