Beany and Cecil
Beany e Cecil
- de 06/01/1962 a 30/06/1962.
- 1 temporada (25 episódios).
- Bob Clampett Productions.

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:
?
ESTÚDIO DE DUBLAGEM:
Herbert Richers
MÍDIAS:
Televisão
Elenco Principal










Outros
A Dublagem
Poucos desenhos conseguem reunir, em tão pouco tempo de exibição, um universo tão próprio, cheio de personalidade, humor nonsense e carisma como Beany e Cecil. Criado pelo lendário Bob Clampett — um dos gênios por trás dos Looney Tunes —, o desenho foi ao ar originalmente nos Estados Unidos em 1962, com apenas uma temporada de 25 episódios. Mas, apesar da vida curta, sua influência e estilo marcante o tornaram cultuado por gerações.
No Brasil, o desenho chegou apenas nos anos 80, e teve sua dublagem realizada pelos estúdios da Herbert Richers, que mais uma vez entregou um trabalho primoroso e essencial para a forma como a série foi recebida por aqui.
Do teatro de marionetes à animação: uma transição ousada
Antes de ser um desenho animado, Beany and Cecil era um programa de marionetes que fazia enorme sucesso nos anos 50 na TV americana, chamado Time for Beany. O sucesso do formato foi tão grande que Bob Clampett decidiu transformá-lo em desenho, mantendo o mesmo espírito satírico e recheado de referências culturais e piadas visuais.
A série animada estreou pela ABC em janeiro de 1962 e rapidamente se destacou pelo seu estilo visual simples, mas expressivo, e pelo roteiro espirituoso que parodiava o mundo das celebridades, da política, da cultura pop e até de outros desenhos.
A dinâmica entre Beany, um garoto de boné hélice, e Cecil, um dragão-marinho grandalhão e atrapalhado, é o coração da série. Os dois embarcam em aventuras ao lado do rabugento Capitão Horácio Huffenpuff, navegando em um barco chamado Leaky Leona e enfrentando o vilanesco Dishonest John — traduzido no Brasil como João Desonesto. Era um humor que funcionava em várias camadas: infantil na superfície, mas com uma sagacidade que os adultos conseguiam saborear.
Chegada ao Brasil e exibição na era de ouro da TV aberta
O desenho Beany e Cecil estreou no Brasil em 1982, inicialmente pelo SBT, onde integrou a programação infantil ao lado de outros clássicos da época. Posteriormente, foi exibido também pela TV Record e pela TV Corcovado, mantendo sua presença na TV por alguns anos e garantindo uma geração de fãs no país. A série, mesmo com visual mais simples e ritmo diferente dos desenhos contemporâneos, se destacava por seu conteúdo criativo e personagens cativantes.
A dublagem da Herbert Richers: carisma e talento reunidos
A versão brasileira foi dublada nos estúdios da Herbert Richers, no Rio de Janeiro — um verdadeiro selo de qualidade quando se fala em dublagem clássica. Embora o nome do diretor de dublagem não esteja documentado, o elenco escolhido fez um trabalho notável ao dar vozes consistentes e memoráveis aos personagens.
Carmen Sheila interpretou Beany com uma voz leve e juvenil, capturando bem a ingenuidade e a coragem do garoto. Já o grandalhão Cecil ganhou vida com a voz inconfundível de Waldyr Sant’anna, cuja versatilidade vocal deu ao personagem um equilíbrio perfeito entre ingenuidade e comicidade.
O capitão Horácio, sempre impaciente e confuso, foi dublado por Jomeri Pozzoli, enquanto o vilão João Desonesto ganhou um tom cínico e divertido na voz de Magalhães Graça.
A dublagem brasileira teve um cuidado evidente para preservar o espírito paródico da série, adaptando piadas e referências sem sacrificar o humor original. Como era de praxe nos estúdios Herbert Richers, houve um esforço em manter os personagens reconhecíveis, ao mesmo tempo que se tornavam acessíveis ao público brasileiro — com falas naturais, entonações certeiras e um texto ágil.
Um clássico que vive na memória afetiva
Embora tenha tido vida curta tanto nos Estados Unidos quanto na televisão brasileira, Beany e Cecil é lembrado com carinho por fãs que acompanharam suas aventuras em alto-mar, cheias de ironia, bobagens e corações sinceros. A série é um exemplo de como a criatividade pode superar limitações técnicas — e como a dublagem brasileira, mais uma vez, foi fundamental para imortalizar um desenho que, em outras mãos, poderia ter passado despercebido.
Nos fóruns de nostalgia, entre colecionadores e em páginas dedicadas à dublagem clássica, Beany e Cecil continua sendo celebrado como um dos muitos títulos que ganharam uma segunda vida no Brasil — graças à magia da dublagem. Um dragão-marinho e um menino de boné, navegando num mundo de absurdos, provaram que bastam 25 episódios e vozes apaixonadas para deixar uma marca que nem o tempo apaga.






