The Misadventures of Sheriff Lobo
Xerife Lobo
- de 18/09/1979 a 05/05/1981.
- 2 temporadas (37 episódios).
- Glen A. Larson Productions e Universal TV.

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:
?
ESTÚDIO DE DUBLAGEM:
Herbert Richers
MÍDIAS:
Televisão
Elenco Principal
Aparições Recorrentes






Outros
A Dublagem
Em plena era de ouro das séries policiais com pitadas de comédia, surgiu Xerife Lobo — ou, no original, The Misadventures of Sheriff Lobo. Criado por Glen A. Larson, um dos maiores nomes da televisão americana, e produzido pela Universal TV, o seriado estreou em 18 de setembro de 1979, trazendo uma mistura deliciosa de ação, humor e sátira sulista.
Com 2 temporadas e 37 episódios, foi protagonizado por Claude Akins, interpretando o carismático, corrupto e atrapalhado Xerife Elroy P. Lobo, uma espécie de “malandro bonachão” com distintivo.
A série teve uma identidade própria dentro do universo televisivo da época. Não era apenas uma comédia policial; era um retrato bem-humorado de uma América interiorana caricata, onde Lobo usava mais o jeitinho do que a lei para resolver os problemas. A primeira temporada se passava na fictícia Orly County, mas ao perceberem que o personagem caía no gosto do público urbano, os criadores decidiram reformular o cenário e levar Lobo para a cidade grande na segunda temporada, rebatizando a série como Lobo, com um tom mais investigativo.
Do Alabama ao Brasil: A Chegada do Xerife à Nossa TV
No Brasil, Xerife Lobo estreou na Rede Globo, em 10 de janeiro de 1982, ocupando as tardes de domingo, naquele horário pós-almoço em que o sofá era irresistível. A série caiu nas graças do público rapidamente, com seus personagens exagerados, situações improváveis e aquela deliciosa dublagem brasileira que sabia exatamente como adaptar o nonsense para o nosso jeitinho.
Depois da Globo, o xerife fez um verdadeiro “tour” pelas emissoras brasileiras: passou pela TV Record em 1984, ocupando os domingos à noite, colado com As Aventuras de BJ, e depois migrou para o SBT, onde ganhou espaço nas manhãs de domingo. Em 1989, teve um breve retorno na TV Manchete, sendo exibido nas tardes de terça-feira, e logo depois, em 1990, passou a ser exibido diariamente, mas durou pouco nesse formato antes de sair definitivamente do ar.
Mesmo com essa trajetória instável, deixou uma impressão duradoura, se tornando memória afetiva de uma geração inteira que acompanhava os absurdos do Xerife Lobo como se fossem aventuras de um parente distante.
Com a Voz do Brasil: A Dublagem que Deu Alma ao Xerife
A dublagem brasileira de Xerife Lobo foi realizada pelo lendário estúdio Herbert Richers, sinônimo de qualidade e carisma na dublagem dos anos 80. E como sempre, não se tratava apenas de traduzir falas, mas de dar identidade aos personagens, adaptando expressões, sotaques e até intenções de forma que tudo fizesse sentido para o público brasileiro — e mais do que isso, fizesse rir, torcer e se apegar.
A alma da série por aqui, sem dúvida, foi José Santa Cruz, que emprestou sua voz grave, firme e debochada ao protagonista. Santa Cruz fez de Lobo um personagem ainda mais icônico, equilibrando o cinismo e o carisma do xerife de maneira impecável. A cada ordem gritada ou frase malandra, dava-se um toque de autenticidade que só alguém com seu talento e experiência poderia alcançar.
Roberto Macedo, que deu voz ao Delegado Perkins, trouxe um tom agitado e nervoso ao personagem, acentuando sua natureza esquentada e facilmente manipulável por Lobo. Já Carlos Marques, como o Delegado Birdie Hawkins, trouxe mais suavidade e um contraste interessante à dupla de oficiais desastrados. O equilíbrio entre os três era o motor da comédia da série, e os dubladores conseguiram capturar isso com uma precisão encantadora.
As personagens femininas também receberam tratamento cuidadoso na dublagem. Nomes como Maria da Penha, Viviane Farias e Vera Miranda deram vida às mulheres que orbitavam o caos policial do interior americano, cada uma com vozes marcantes e entonações que mantinham o espírito original das atrizes americanas, mas com o calor da interpretação brasileira.
Um Forasteiro que Nunca Foi Embora
Apesar de ter durado pouco em termos de produção original, Xerife Lobo teve uma vida longa na memória dos brasileiros. O sucesso da série por aqui se deve, em grande parte, à dublagem que abraçou com carinho a proposta caótica e bem-humorada da trama.
As interpretações marcantes, os trejeitos vocais adaptados ao nosso cotidiano e o ritmo dinâmico da fala brasileira deram ao programa uma sobrevida que nem os próprios criadores poderiam ter previsto.
Até hoje, frases e situações vividas por Elroy P. Lobo e companhia arrancam risos de quem as revisita. Nas redes sociais e fóruns de nostalgia, é comum ver fãs pedindo reprises ou lembrando com carinho de tardes diante da TV, rindo das confusões daquele xerife que nem sempre fazia as coisas do jeito certo, mas sempre entregava diversão.
Xerife Lobo é um daqueles casos em que a dublagem brasileira não apenas acompanhou a obra — ela a melhorou. E isso, por si só, já é uma medalha no distintivo da história da televisão no Brasil.













