21 Jump Street
Anjos da Lei
- de 12/04/1987 a 27/04/1991.
- 5 temporadas (103 episódios).
- 20th Century Fox Television.

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:
Newton Da Matta
ESTÚDIO DE DUBLAGEM:
Herbert Richers
MÍDIAS:
Televisão
Elenco Principal






Outros
A Dublagem
Nos anos 80, quando o mundo assistia à ascensão da cultura jovem, surgiu uma série que unia ação policial e dramas adolescentes de forma inovadora: 21 Jump Street, traduzida no Brasil como Anjos da Lei.
Criada por Patrick Hasburgh e Stephen J. Cannell, e produzida pela 20th Century Fox Television, a série não apenas revelou um jovem Johnny Depp ao mundo, mas também introduziu um novo formato de storytelling, em que a sensibilidade social se encontrava com as emoções de uma juventude à flor da pele.
No Brasil, a série chegou com força total, exibida pela Rede Globo com a dublagem icônica da Herbert Richers, tornando-se um fenômeno entre os adolescentes da época. Com temas ousados, elenco carismático e um tom de realismo raro em produções do gênero, Anjos da Lei ainda ressoa entre os fãs da televisão nostálgica.
Policiais com Mochila nas Costas: A Premissa de Anjos da Lei
Exibida entre 12 de abril de 1987 e 27 de abril de 1991 nos Estados Unidos, a série teve ao todo 5 temporadas e 103 episódios. A proposta era simples, mas brilhante: uma unidade especial da polícia infiltrava jovens agentes em escolas e universidades para investigar crimes que envolviam adolescentes — de tráfico de drogas a abusos, violência e discriminação.
Tom Hanson (Johnny Depp), Doug Penhall (Peter DeLuise), Judy Hoffs (Holly Robinson Peete), Harry Loki (Dustin Nguyen) e o Capitão Fuller (Steve Williams) formavam a equipe que combatia o crime, mas também lidava com questões pessoais, dilemas éticos e os próprios traumas. A série conseguia equilibrar ação e reflexão, criando episódios que emocionavam e chocavam — especialmente por tocar em assuntos como racismo, aborto, suicídio e bullying, em plena década de 80.
No Ritmo da Globo: A Trajetória no Brasil
A estreia oficial de Anjos da Lei no Brasil aconteceu de maneira cinematográfica, com a exibição do episódio-piloto em formato de longa no Super Cine da Globo, no dia 5 de novembro de 1988. O sucesso foi instantâneo. Logo depois, passou a integrar a programação regular das manhãs de domingo, onde ficou até 1991, cativando um público jovem sedento por tramas mais sérias e personagens com os quais se identificassem.
Em 1992, a série foi deslocada para as noites de sexta-feira, e em seguida, para as quintas, onde permaneceu até 1993, sempre dentro do pacote de séries da emissora. Já entre 1996 e 1997, Anjos da Lei ganhou nova sobrevida na CNT/Gazeta, chegando a uma geração que talvez tivesse perdido sua exibição original, mas encontrou nos dramas adolescentes um reflexo de sua realidade.
Entre Vozes e Emoções: A Dublagem Brasileira
A dublagem de Anjos da Lei é uma das mais marcantes da televisão brasileira e ajudou a eternizar a série na memória dos fãs. Realizada pelo estúdio Herbert Richers, sob a direção de Newton da Matta, a adaptação nacional foi cuidadosa, intensa e — acima de tudo — emocionalmente fiel ao espírito da produção original.
Marco Antônio Costa, ao dar voz a Tom Hanson, trouxe sensibilidade e firmeza ao personagem. Esse trabalho se tornou um dos primeiros grandes marcos de sua carreira e o levou a se tornar uma das vozes mais frequentes de Johnny Depp no Brasil. Sua performance capturava com precisão a dualidade de Hanson — o policial determinado e o jovem ainda descobrindo seu lugar no mundo.
Orlando Prado, como Doug Penhall, imprimiu carisma e lealdade ao parceiro de Hanson, enquanto Carmen Sheila, dublando Judy Hoffs, ofereceu emoção e autoridade em equilíbrio, contribuindo para o peso dramático da personagem. A voz de Selton Mello no papel de Harry Loki é um ponto curioso: ainda em início de carreira, o hoje renomado ator já demonstrava talento e versatilidade ao lidar com a introspecção do personagem.
Outro nome que merece destaque é o de Márcio Simões, responsável pela dublagem do Capitão Adam Fuller. Era um de seus primeiros trabalhos de dublagem, e mesmo assim ele entregou uma interpretação segura, com uma autoridade paternal e estratégica que definia bem o comandante da equipe. Além disso, Manolo Rey e Eduardo Borgerth completaram o time com as vozes de Joey Penhall e Dennis Booker, respectivamente, mantendo o alto nível do elenco.
Adolescentes, Armas e Alma
Anjos da Lei foi mais do que uma série policial: foi uma plataforma de diálogo com a juventude dos anos 80 e início dos 90. Ao misturar ação com temas sensíveis, a série deu voz (e rosto) a uma geração de jovens que se via negligenciada por outras produções do entretenimento mainstream.
O sucesso internacional da série impulsionou a carreira de Johnny Depp, que se tornaria um dos maiores astros de Hollywood, mas o impacto foi igualmente profundo na dublagem brasileira. Muitos profissionais que participaram da versão nacional deram passos importantes a partir dali, como Marco Antônio Costa e Márcio Simões.
O programa também abriu espaço para discussões sociais, sem apelar para soluções fáceis ou maniqueístas. Em tempos de repressão e conservadorismo crescente, Anjos da Lei ousava ser humano — e por isso, continua relevante mesmo décadas depois de sua estreia.



















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