Ribbon no Kishi
A Princesa e o Cavaleiro
- de 02/04/1967 a 07/04/1968.
- 1 temporada (52 episódios).
- Mushi Productions.

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:
Gilberto Baroli
ESTÚDIO DE DUBLAGEM:
AIC - São Paulo
MÍDIAS:
Televisão
Elenco Principal








Aparições Recorrentes







A Dublagem
Adaptado do mangá Ribbon no Kishi, escrito e ilustrado por Osamu Tezuka entre 1953 e 1956, A Princesa e o Cavaleiro (“Princess Knight”) estreou na televisão japonesa em 1967. A série, produzida pela Mushi Productions, foi pioneira no gênero shoujo animado, ao colocar no centro da narrativa uma princesa criada como menino para herdar o trono de seu reino.
A história se passa no Reino de Prata, onde a jovem Saphire precisa esconder sua verdadeira identidade, enfrentando os dilemas de gênero e os desafios da nobreza enquanto assume a persona do destemido Cavaleiro Vingador. Ao seu lado, estão o atrapalhado anjinho Ching, o encantador Príncipe Franz e uma galeria de vilões que inclui o Duque Duralumínio, Lord Nylon e o diabólico Satã. A narrativa, que mistura fantasia, romance, política e crítica social, é intensificada pela trilha sonora orquestral de Isao Tomita, um dos destaques técnicos da série.
A chegada ao Brasil e sua trajetória na TV
O público brasileiro conheceu A Princesa e o Cavaleiro no início dos anos 1970. A estreia aconteceu em 1973 pela TV Record, num horário nobre para os padrões infantis: 19h. Já no ano seguinte, passou a integrar a grade da TV Tupi do Rio de Janeiro, onde era exibido junto com Esper, o Garoto a Jato.
A série foi presença constante na televisão brasileira ao longo da década, chegando à TVS nos anos 80 e conquistando novas gerações. Sua exibição fragmentada — ora com episódios fora de ordem, ora com diferentes dublagens — contribuiu para o caráter quase mítico que A Princesa e o Cavaleiro adquiriu no imaginário de quem cresceu naquela época. Nos anos 90, alguns episódios chegaram ao mercado em VHS, e em 2012, finalmente, a Focus Filmes lançou a série em DVD, resgatando a dublagem original.
A dublagem da AIC – São Paulo: arte, adaptação e emoção
A dublagem carioca da série, realizada nos estúdios da Cinecastro, representa uma das versões mais sólidas e equilibradas do anime. Essa versão demonstrou um cuidado apurado com ritmo, fidelidade e, sobretudo, atmosfera.
Neuza Tavares deu a Safiri um timbre firme, mas delicado, em uma performance que equilibrava com perfeição os tons de realeza, bravura e vulnerabilidade. Ao lado dela, Miriam Thereza foi a voz simpática e ligeiramente atrapalhada de Ching, o anjinho celeste que dava o tom mais infantil da narrativa. Henrique Ogalla interpretou o Príncipe Franz com romantismo discreto, enquanto Domício Costa impressionou com sua voz grave como Satã, transbordando vilania com presença cênica.
Os demais personagens também foram dublados com qualidade: Milton Luis, Ary de Toledo, Sônia de Moraes, Carlos Leão, todos reunidos em um elenco forte e versátil. Ary de Toledo, inclusive, assumiu dois papéis marcantes: Lord Nylon e o narrador — função que exerceu com entonação clássica e um charme que remete aos contos de fadas radiofônicos.
Diferente da versão da AIC, a dublagem da Cinecastro manteve um tom mais coeso, com roteiro que respeitava a essência dos episódios japoneses, mesmo que adaptados para o público brasileiro. A ambientação sonora também ganhou um cuidado especial, com mixagem bem-feita e uma leveza no ritmo que ajudava a série a fluir mesmo nos episódios mais verborrágicos. Apesar da alternância entre estúdios, os episódios com vozes da Cinecastro são até hoje lembrados pela clareza, emoção e consistência.
Coragem e Delicadeza
A versão da AIC para A Princesa e o Cavaleiro é, até hoje, a mais lembrada por quem viveu a infância nos anos 70. Muito mais do que uma série animada, Safiri tornou-se símbolo de empoderamento feminino numa época em que meninas raramente viam protagonistas fortes e complexas na televisão. A dublagem, com sua carga emocional e sensibilidade artística, foi essencial para esse impacto.
Mais do que dar voz aos personagens, a AIC deu alma à série — e ajudou a imortalizar A Princesa e o Cavaleiro como um dos maiores clássicos da animação japonesa no Brasil.
O anime recebeu ainda a dublagem da Cinecastro.





















