Elenco de Dublagem - Desenhos

Power Team

Os Poderosos

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:

?

ESTÚDIO DE DUBLAGEM:

Herbert Richers

MÍDIAS:

Televisão

Elenco Principal

Outros

A Dublagem

Surgido no início dos anos 1990 como um experimento híbrido entre publicidade de jogos e desenho animado, The Power Team (brasileiramente conhecido como Os Poderosos) nasceu como segmentos dentro do programa norte-americano Video Power, sendo produzido pela Bohbot Entertainment e exibido entre 1990 e 1991 nos EUA.

A proposta era simples e curiosa: reunir personagens de jogos eletrônicos da época em aventuras episódicas, aproveitando o apelo dos videogames para um público infantil. No Brasil a série chegou anos depois e teve sua dublagem nacional atribuída ao então onipresente estúdio Herbert Richers, embora o elenco de vozes permaneça, em grande parte, um mistério para colecionadores e pesquisadores por falta de material de documentação disponível.

 

“Pixels em ação”: produção e enredo 

The Power Team é produto de um momento específico da indústria audiovisual: o início da era dos videogames 16-bit e a tentativa de capitalizar personagens de jogos em narrativas seriadas para TV.

Produzida pela Bohbot Entertainment, a série foi dirigida por Steven Martiniere com Jack Olesker no desenvolvimento e edição de roteiros. Em sua essência, o enredo reúne heróis retirados de títulos licenciados — figuras archetypais que, juntas, formam uma equipe que enfrenta vilões e desafios muitas vezes remetendo a cenários típicos de jogos (labirintos, máquinas, vilarejos desertos). A dinâmica privilegia ação rápida, moral clara e soluções que lembram os objetivos e chefes finais dos jogos, aproximando o formato televisivo dos ritmos do gameplay.

Na equipe de heróis estava: Max Force, originário de NARC, foi transformado numa espécie de policial SWAT; Kuros, do Wizards and Warriors, aparece menos como cavaleiro e mais evocando um bárbaro à la He-Man; Kwirk, personagem bonachão do jogo de Game Boy de mesmo nome, é literalmente um tomate antropomórfico que garante leveza cômica e visual memorável ao time; Tyrone, vindo de Arch Rivals, era originalmente uma referência a astros do basquete, e no desenho ganhou um estilo próprio: cabelo black power e atitude atlética; Bigfoot, do jogo com o mesmo nome — um caminhão-monstro icônico — torna-se literalmente personagem animado: um veículo que dá nome à sua própria identidade, trazendo dinamismo físico e visual ao grupo. 

Além deles, temos Johnny Arcade, o apresentador do Video Power, inserido na animação como um personagem humano que comanda o time à distância, usando um controle estilo NES Advantage. Ele orienta os heróis durante as missões, dando um toque meta-narrativo divertido — videogame dentro da animação. 

O antagonista principal, Mr. Big (NARC), parece ter deixado o crime virtual para trás e ganha corpo em carne e osso — com gadgets de charuto (como “míssil-charuto”) em vez da arma original, inserindo um humor ácido ao vilão.

 

Chegada e trajetória no Brasil

A exibição brasileira ocorreu alguns anos após a estreia americana; em 1994, The Power Team entrou na grade como parte do TV Colosso, o popular programa infantil da Rede Globo que misturava sketches, bonecos e blocos de desenhos — estratégia comum na época para inserir conteúdos importados em horários nobres infantis.

A inserção dentro do TV Colosso ajudou a proteger o desenho no mosaico da programação e a apresentar a proposta a um público que já consumia videogames e produtos licenciados. Nos registros públicos e nas listas de desenhos exibidos pela Globo, Os Poderosos aparece como título exibido na faixa infantil daquele período, ainda que não tenha gerado a mesma memória coletiva que alguns blockbusters animados da década. Isso explica, também, por que a série passou meio despercebida em reexibições e colecionismos nacionais. 

 

“Vozes na sombra”: a dublagem brasileira 

A dublagem de Os Poderosos foi realizada pela Herbert Richers, o estúdio que durante décadas foi referência na localização de séries e filmes para o público brasileiro. O trabalho técnico do estúdio — direção de dublagem, adaptação de texto, captação e mixagem — certamente deu à série o acabamento habitual das produções da casa: sincronia funcional, adaptações de bordões e uma busca por timbres compatíveis aos personagens originais. Porém, ao contrário de grandes sucessos que ganharam fichas técnicas extensas, Os Poderosos sofre hoje com lacunas documentais: créditos completos de elenco e diretores de dublagem não são facilmente encontrados por falta de imagens que sirvam de referência.

 

“Herança pixelada”: o legado

O legado de The Power Team é pequeno, porém curioso. Como peça de época, documenta a estratégia comercial de transformar propriedades de videogame em extensões narrativas para TV — um movimento que só cresceria nas décadas seguintes. No Brasil, sua presença dentro do TV Colosso faz parte daquele mapa de importações tímidas que abasteciam a infância dos anos 1990 com títulos de catálogo; para pesquisadores de dublagem, o desenho virou um dos muitos casos de trabalhos localizados cuja memória depende de exibições esparsas, fitas VHS e arquivos avulsos. Para fãs de cultura dos games e colecionadores de raridades, Os Poderosos é um exemplar representativo: curto (26 episódios produzidos), bem-intencionado e hoje mais lembrado como curiosidade nostálgica do que como hit duradouro.

Nota do autor: Até a data de publicação desta matéria, não havia na internet um elenco de dublagem desta produção. As informações aqui reunidas são fruto de pesquisa própria, com análise dos episódios e identificação das vozes, e não de material copiado de outras fontes.
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Izaías Correia
Professor, roteirista e web-designer, responsável pelo site InfanTv. Também é pesquisador da dublagem brasileira.

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