Sweating Bullets
Point de Verão
- 14/09/1968 a 30/08/1969.
- 1 temporada (17 episódios, 2 segmentos).
- Filmation Associates.

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:
?
ESTÚDIO DE DUBLAGEM:
Herbert Richers
MÍDIAS:
Televisão
Elenco Principal




Outros


A Dublagem
Poucos títulos conseguiram traduzir tão bem a vibração dos anos 90 quanto Point de Verão, conhecida internacionalmente como Tropical Heat ou ainda Sweating Bullets. Exibida originalmente entre 1991 e 1993, a produção canadense teve uma única temporada composta por 17 episódios (com segmentos duplos em alguns casos) e marcou presença em mais de 100 países.
No Brasil, a série desembarcou com um nome solar e uma dublagem marcante, criada pelos estúdios da Herbert Richers — nome onipresente na memória dos fãs de séries da época.
Ao longo dos anos, mesmo sem o status de fenômeno global, Point de Verão ganhou o coração de muitos brasileiros por sua atmosfera carismática, o toque exótico das locações e — especialmente — pelas vozes que deram vida aos personagens na versão nacional.
Entre praias e investigações: a trama por trás dos óculos escuros
A série gira em torno de Nick Slaughter, interpretado por Rob Stewart, um ex-agente do DEA (o departamento antidrogas dos EUA) que decide abrir uma agência de detetives particulares numa ilha fictícia do Caribe. O lugar paradisíaco, embora parecesse calmo, escondia crimes, segredos e muita ação. Ao lado de Sylvie Girard (Carolyn Dunn), dona do imóvel onde ele monta o escritório, Nick se envolve em investigações que mesclam mistério, romance e uma boa dose de humor tropical.
Apesar de se tratar de uma coprodução canadense, o seriado foi gravado em locações ensolaradas, como Key Biscayne (Flórida), Cancún, Porto Rico e algumas cenas no México. O charme visual da produção fazia com que o público esquecesse sua origem gelada, mergulhando na fantasia de um Caribe ficcional cheio de possibilidades.
A estética exageradamente “praiana”, aliada ao carisma dos protagonistas, fez com que a série se tornasse uma espécie de “cult alternativo”, especialmente nos países onde foi reexibida em horários inusitados, como no Brasil.
Sol tropical e noites insones: a trajetória brasileira de Point de Verão
No Brasil, a estreia de Point de Verão se deu em 5 de janeiro de 1994, integrando a Sessão Aventura da TV Globo. A série ia ao ar às quartas-feiras, em meio a uma seleção variada de atrações semanais: segunda era Tiro Certo, terça era exibida Raven, na quinta passava Profissão: Perigo e sexta era o dia de Barrados no Baile.
Com o passar do tempo, no entanto, a série migrou para a madrugada. Em 1996, passou a ser exibida às 4h30 da manhã, numa faixa dedicada a reprises e programas de menor apelo comercial. Ainda assim, foi nesse horário alternativo que Point de Verão conquistou uma base fiel de fãs noturnos e insônias nostálgicas.
As vozes do verão: a dublagem brasileira
A versão brasileira foi realizada no estúdio Herbert Richers, um dos mais ativos e respeitados da época. A dublagem deu vida ao clima leve e ensolarado da série, mas não deixou de imprimir personalidade às atuações. O destaque principal ficou para Dário de Castro, que dublou Nick Slaughter com um tom charmoso e descompromissado, espelhando perfeitamente a persona canastrona e encantadora do personagem.
Já Sylvie Girard, interpretada por Carolyn Dunn, ganhou a voz suave e segura de Vera Miranda, que equilibrou doçura e firmeza na medida certa, transmitindo bem o espírito independente da personagem.
A dublagem não apenas respeitou os tempos de fala e sincronização, como também traduziu as gírias, expressões e nuances do roteiro original com naturalidade, algo que a Herbert Richers sabia fazer com maestria.
Sol que não se põe: o legado duradouro de Point de Verão
Embora nunca tenha alcançado o sucesso estrondoso de outras séries da época, Point de Verão deixou sua marca como uma produção estilosa, de espírito leve e atmosfera escapista. Sua mistura de humor, investigação e cenários tropicais fazia dela uma “comfort series” para muitos, ainda mais com o toque inconfundível da dublagem nacional.
A série é lembrada com carinho principalmente por aqueles que a descobriram nas madrugadas da Globo ou que acompanhavam fielmente a Sessão Aventura. Seu legado também reside no fato de ter sido uma das últimas produções dubladas durante a era de ouro dos estúdios cariocas, com elenco fixo e direção criteriosa — elementos que hoje são cada vez mais raros.
Mais do que uma simples série de detetive, Point de Verão é um pedaço da memória afetiva televisiva brasileira — um lembrete de que, às vezes, tudo o que a gente precisa é um herói descalço, uma praia fictícia e uma boa dublagem.









