ナショナルキッド, Nashonaru Kiddo
National Kid
- de 04/08/1960 a 27/04/1961.
- 4 fases (39 episódios).
- Toei Company.

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:
Emerson Camargo
ESTÚDIO DE DUBLAGEM:
Windstar
MÍDIAS:
Televisão, VHS, DVD e Streaming
Elenco Principal










Outros
A Dublagem
Embarcando direto das páginas de um mangá para as telas do Japão em 1960, National Kid foi criado para personificar a imagem da futurista National Electronics (hoje Panasonic) e defender a Terra de ameaças interplanetárias.
A série estreou em 4 de agosto de 1960 pela NET (atual TV Asahi) e permaneceu no ar até 27 de abril de 1961, somando cerca de 39 episódios distribuídos em cinco grandes sagas. Em terras brasileiras, o personagem se transformou em um ícone da TV, com seu lema heróico — “Mais veloz que um jato, mais forte que o aço…” — ecoando nas mentes de crianças e adolescentes.
Como nasceu o primeiro herói tokusatsu
A gênese de National Kid é um encontro entre indústria e cultura pop: a Kodansha (editora), a National Electronics (fabricante de eletrônicos) e a Toei Company (produtora) se uniram para criar um herói que mesclasse ficção científica, extraterrestres e merchandising inteligente. Esse conceito surgiu como uma forma de promover produtos — e o protagonista chegou a ser descrito como a versão japonesa do Superman.
A produção era simples, gravada em preto e branco, com elenco em grande parte amador e recursos limitados, mas ainda assim surpreendia pelos efeitos criativos, sobretudo os de voo e lutas coreografadas.
Na série, National Kid, veio do planeta Andrômeda, no sistema estelar de Alfa-Centaury, para aprender sobre a cultura terráquea. Aqui chegando ele passou a defender o planeta Terra de criaturas que desejavam dominá-lo.
Em nosso planeta o herói assumiu a identidade secreta do professor Massao Hata, e passou a cuidar de cinco órfãos junto com sua assistente Tyako. Goro, Yukio, Kura, Mari e Tomohiro, até tentavam ajudar o professor em suas aventuras, agindo como detetives mirins, mas em suas brincadeiras de investigação geralmente o que mais conseguiam era entrar em encrencas e complicar ainda mais a missão do herói. Era só os pequenos ficarem enrascados que se comunicavam com o herói usando o rádio da marca National, assim Hata vestia seu uniforme prateado, capacete, máscara, capa e luva e se transformava em National Kid, aparecendo na hora para ajudá-los.
Em suas aventuras o herói tinha a ajuda do delegado Takahura e seu assistente Hisako, além do Doutor Mizuno, um cientista e muito amigo de Massao Hata. Além de voar e ser um exímio lutador o herói contava ainda com sua arma laser desintegradora para combater os mais variados tipos de vilões.
Entre os malfeitores que o herói lutava estavam seres alienígenas, como os Incas Venusianos, que liderados pela Imperatriz Aura, tripulavam discos voadores e não hesitavam sequer em contaminar águas do nosso planeta no intuito de dominá-lo. Eles faziam uma saudação muito estranha, cruzavam os braços e gritavam “Awika”, palavra esta que se tornou muito famosa, dita e lembrada até os dias de hoje.
O herói combatia ainda os Seres Abissais, que sob o comando do Imperador Nelkon vieram das profundezas da Terra para dar muita dor de cabeça ao herói. Não bastasse tanta gente perversa, aparece o Império Subterrâneo, liderados pelo Dr. Koroiva; e os Zarrocos com seu monstro poderoso Giabra.
A jornada de National Kid no Brasil
O herói espacial desembarcou no Brasil no dia 5 de março de 1964, exibido pela primeira vez na TV Record, com dublagem da AIC/SP. Sua recepção foi tão calorosa que abriu caminho para o influxo de outras séries japonesas no país. A série circulou também na TV Rio e TV Globo até o início dos anos 70.
Durante o regime militar, a presença de super-heróis voadores na televisão chegou a ser proibida, e National Kid foi censurado — chegando a voltar por breve período na TV Excelsior em 1968.
A partir dos anos 90, vivenciou seu revival: em 1993, a Sato Company relançou episódios em VHS, com redublagem realizada pela Windstar e formato de coletâneas em estilo “filme”; em 1996, uma nova exibição ocorreu no bloco JapAction da Rede Manchete, também com a mesma dublagem.
Os lançamentos em DVD vieram em 2002 e 2009, pela Cinemagia e Focus Filmes respectivamente, com edições especiais em lata que viraram objetos de colecionador. Hoje, episódios podem ser vistos no Prime Video (via Sato) e no canal Tokusatsu TV no YouTube.
Dublagem que virou lenda: A voz do herói brasileiro
A primeira dublagem da série no Brasil foi realizada pela AIC nos anos 60 para exibição na Record, apresentando uma enorme qualidade e com Emerson Camargo no papel principal.
Nos anos 90, o retorno de National Kid ao Brasil ganhou um tempero especial com a dublagem realizada pelo estúdio Windstar, sob direção de Emerson Camargo — que também emprestou sua voz inconfundível ao herói e às sua identidade de Professor Massao Hata.
Essa nova versão cobriu as fases “Incas Venusianos”, “Seres Abissais” e “Império Subterrâneo”, sendo exibida na TV Manchete e posteriormente lançada em VHS e DVD, além de anos mais tarde marcar presença no Amazon Prime e no YouTube (episódios 1 a 18).
A dublagem da Windstar conseguiu equilibrar fidelidade ao espírito original da série com uma entrega vibrante e envolvente. Letícia Quinto deu vida à assistente Tyako, Mário Vilela trouxe autoridade ao Dr. Mizuno e Fábio Vilalonga interpretou o determinado Inspetor Takakura.
As crianças também ganharam vozes carismáticas: Leda Figueiró como Tomohiro, Wendel Bezerra como Yukio, Marli Bortoletto como Kurasu e Angélica Santos como Goro. Até mesmo os momentos narrados ficaram sob a batuta de Emerson Camargo, garantindo um fio condutor coeso e emocionante.
Essa dublagem se destacou por manter o tom heroico e a dramaticidade da obra original, ao mesmo tempo em que a adaptava à sensibilidade do público brasileiro. Mais do que um trabalho técnico, foi um reencontro afetivo com um herói que, décadas depois, ainda tinha muito a dizer aos fãs.
Em 2010 para lançamento da série em DVD pela Focus Filmes as fases: “O Mistério do Garoto Espacial” e “National Kid Contra os Zarocos do Espaço”, que não tinha sido redubladas nos anos 90, recebeu um trabalho de adaptação do estúdio Clone.
Do culto à cultura pop
Embora fracassado no Japão, National Kid conquistou o Brasil com status cult. Seu impacto foi tão forte que virou referência cultural e foi lembrado em exposições, reportagens, e em projetos nostálgicos como o encontro de fãs em 1988 — marcado até pela exibição de episódios em VHS e homenagens em mídia.
Sua influência ecoou nas artes — painéis de grafite com frases como “Celacanto provoca maremoto”, inspiradas em um vilão da série, começaram a pipocar nos muros do Rio no fim dos anos 70. Mais considerado um artefato retrô, o herói voltou à tona em programas de TV, clipes musicais e até em propaganda de banco.


















