Lippy the Lion and Hardy Har Har
Lippy & Hardy
- 03/09/1962 a 26/10/1963.
- 2 temporadas (52 episódios).
- Hanna-Barbera Productions.

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:
Waldyr de Oliveira
ESTÚDIO DE DUBLAGEM:
AIC- São Paulo
MÍDIAS:
Televisão
Elenco Principal


A Dublagem
Produzida em 1962 pela Hanna-Barbera, Lippy the Lion & Hardy Har Har (no Brasil, Lippy e Hardy) foi um dos segmentos do programa The Hanna-Barbera New Cartoon Series, exibido originalmente nos Estados Unidos ao lado de Wally Gator e da Tartaruga Touché. Ao longo de 52 episódios curtos, a animação apresentou as desventuras de um improvável par: Lippy, o leão otimista e cheio de planos mirabolantes, e Hardy, a hiena mergulhada em um pessimismo crônico, incapaz de sorrir sem ironia.
Esse contraste tornou a dupla inesquecível. Enquanto Lippy insistia em dizer “Calma, Hardy!”, o amigo hiena devolvia com frases emblemáticas como: “Eu sei que não vai dar certo… Oh, dia, oh, céus, oh, azar…”. Curiosamente, em apenas um episódio Hardy chega a rir — mas faz questão de justificar: “Foi porque fiz uma piada infame!”.
Do riso ao desespero: enredo marcado por contrastes
As aventuras de Lippy e Hardy giravam em torno das ideias megalomaníacas do leão, sempre acreditando que estava prestes a alcançar grandes feitos ou descobertas. Já Hardy representava o oposto: uma hiena eternamente desencorajada, que vivia repetindo bordões como “Miséria, não sairemos vivos daqui” ou ainda “Mas, Lippy, tenho câimbras quando sorrio”.
Essa química entre entusiasmo e resignação transformou o desenho em algo maior que a soma de suas partes. A narrativa simples ganhava força justamente pelo contraste de personalidades, tornando-se uma metáfora cômica sobre otimismo e pessimismo.
Vozes brasileiras que se tornaram lendas
No Brasil, a série ganhou vida graças a uma dublagem memorável. Luiz Orioni emprestou sua voz a Lippy, dando-lhe uma entonação otimista, empostada e um tanto trapalhona, perfeita para os sonhos exagerados do leão. Já Waldyr Guedes, considerado à época “o homem das mil vozes”, interpretou Hardy com uma melancolia tão convincente que o personagem se transformou em um ícone.
A suavidade arrastada de sua fala, combinada ao bordão “Oh vida, oh azar!”, fez de Hardy um dos personagens mais lembrados da Hanna-Barbera no Brasil. É até curioso lembrar que Guedes, com a mesma maestria, também dublava papéis completamente distintos, como Orson Welles em Cidadão Kane. Essa versatilidade ressalta o nível artístico da dublagem nacional.
Do horário infantil ao culto nostálgico
No Brasil, Lippy e Hardy foi exibido em diversos canais: TV Tupi, Record, Excelsior, Bandeirantes e SBT, quase sempre acompanhado de Wally Gator eTartaruga Touché. Com o passar dos anos, e após a aquisição dos direitos pela Turner, os episódios migraram para canais pagos, aparecendo de forma esporádica no Cartoon Network e no Boomerang.
Apesar de não ter a mesma popularidade de outros títulos da Hanna-Barbera, a série construiu um nicho fiel de admiradores. Até hoje, os bordões de Hardy e o entusiasmo atrapalhado de Lippy são lembrados com carinho, principalmente por quem cresceu assistindo aos blocos animados das décadas de 1970 e 1980.
Um legado de humor e memória afetiva
Mais de 60 anos depois de sua estreia, Lippy & Hardy continua sendo lembrado como um clássico. Seu maior legado talvez não esteja apenas nos roteiros simples, mas na força da caracterização: o eterno sonhador que nunca se abate e o pessimista que, ainda assim, não abandona o amigo.
No Brasil, a dublagem de Luiz Orioni e Waldyr Guedes eternizou esse contraste, transformando frases curtas em marcas registradas da cultura pop. Afinal, difícil esquecer o tom resignado e nostálgico de Hardy repetindo: “Oh vida, oh azar!”.







