Karen Sisco
Karen Sisco
- de 01/10/2003 a 14/04/2004.
- 1 temporada (10 episódios).
- Jersey Television.

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:
Wellington Lima
ESTÚDIO DE DUBLAGEM:
Álamo
MÍDIAS:
Televisão
Elenco Principal






A Dublagem
Quando Karen Sisco estreou nos Estados Unidos em 1º de outubro de 2003, pela ABC, tudo indicava que seria o novo sucesso dos dramas policiais da época.
Estrelada por Carla Gugino, a série era inspirada no universo literário de Elmore Leonard, o mesmo autor que deu origem a Out of Sight (1998) — filme que apresentou pela primeira vez a personagem.
Apesar do pedigree, a produção acabou sendo vítima da concorrência e de sua própria ambição. Exibida no mesmo horário de Law & Order, a série não conseguiu competir com o peso do clássico da NBC, registrando metade — e depois um terço — da audiência.
O resultado foi um cancelamento precoce: apenas 7 episódios exibidos oficialmente, com 3 episódios finais “queimados” na madrugada da emissora em 2004.
Mesmo assim, Karen Sisco se tornou um pequeno cult televisivo, lembrado por sua atmosfera estilizada, o carisma da protagonista e o DNA literário de Leonard, que mais tarde também inspiraria o sucesso Justified.
Entre fugitivos e dilemas
A trama acompanha Karen Sisco, uma destemida policial lotada na ensolarada e perigosa região de Miami, Flórida. Seu trabalho a coloca em meio a criminosos, milionários e o submundo vibrante da Gold Coast, equilibrando tiroteios, fugas e intrigas com o brilho e a corrupção da alta sociedade de Palm Beach.
Mas o que realmente diferencia Karen Sisco de outras produções do gênero é o contraste entre ação e intimidade. Karen não é apenas uma caçadora de fugitivos — ela é uma mulher tentando ser respeitada em um ambiente masculino e burocrático. Sua relação com o pai, Marshall Sisco (vivido por Robert Forster), um ex-policial e agora investigador particular, adiciona uma camada emocional à narrativa, com diálogos cheios de humor e afeto.
O parceiro de Karen, Amos Andrews (Bill Duke), completa o trio principal — um veterano experiente que funciona como contraponto à impulsividade da protagonista.
A série mescla ação, drama e uma estética que remete aos filmes policiais dos anos 70, com trilha jazzística, luzes quentes e um charme “retrô-moderno” que a destacava entre os dramas convencionais da época.
De Miami ao Brasil
No Brasil, Karen Sisco estreou no canal USA em 4 de novembro de 2003, às 23h, com exibição regular até 2004. Embora tenha passado discretamente pela TV paga, o programa conquistou um público fiel que acompanhava a onda de séries policiais realistas daquele período, como Boomtown e Without a Trace.
Também chegou a ser exibida na Rede Globo nas madrugadas da emissora em 2004 como tapa buraco na programação.
Mesmo com a curta duração, a série foi lembrada com carinho por quem acompanhou sua passagem pelo canal. A performance de Carla Gugino recebeu elogios, e sua química com Robert Forster foi apontada como o coração da história.
Em 2012, a atriz reprisou o papel — agora como uma Assistente de Direção do Serviço de Delegados Federais — em um episódio especial da terceira temporada de Justified, outra série baseada nas obras de Elmore Leonard. A aparição funcionou como uma homenagem tardia, consolidando o personagem dentro do mesmo universo literário.
As vozes brasileiras
A versão brasileira de Karen Sisco foi realizada pelo estúdio Álamo, em São Paulo, com direção de dublagem de Wellington Lima — conhecido por imprimir naturalidade e ritmo cinematográfico às produções policiais.
A dublagem manteve o tom sério e elegante do original, mas com uma entrega emocional típica do estilo brasileiro. Cecília Lemes, conhecida por papéis marcantes e por seu equilíbrio entre força e sensibilidade, deu vida à protagonista Karen Sisco (Carla Gugino), capturando com precisão sua mistura de determinação e vulnerabilidade.
Carlos Campanile emprestou sua voz firme e experiente a Marshall Sisco (Robert Forster), reforçando a figura do pai protetor e conselheiro, enquanto Guilherme Lopes interpretou o agente Amos Andrews (Bill Duke), com uma dicção sóbria e autoridade impecável.
O resultado foi uma dublagem coesa e respeitosa, sem exageros, reproduzindo o clima noir da série com um toque brasileiro que valorizava os diálogos rápidos e irônicos característicos de Elmore Leonard.
Uma passagem breve, mas marcante
Embora tenha durado pouco, Karen Sisco deixou uma marca no gênero policial de TV. O estilo elegante e o foco em uma protagonista feminina forte — antes de isso se tornar tendência — abriram caminho para produções posteriores como Alias, Veronica Mars e The Closer.
Em 2013, a revista TV Guide incluiu a série em sua lista das “60 produções canceladas cedo demais”, reafirmando seu status de obra subestimada.
A trajetória de Karen Sisco é um lembrete de que, às vezes, até as histórias mais curtas podem deixar ecos duradouros — especialmente quando carregam o charme do crime, o calor de Miami e uma dublagem brasileira à altura.
