Elenco de Dublagem - Séries Matérias

The Bionic Woman

A Mulher Biônica

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:

Alberto Perez

ESTÚDIO DE DUBLAGEM:

Herbert Richers

MÍDIAS:

Televisão

Elenco Principal

Outros

A Dublagem

Em meados da década de 1970, o público mundial conheceu uma das personagens femininas mais icônicas da TV: Jaime Sommers, interpretada por Lindsay Wagner, a inesquecível Mulher Biônica.

A série estreou em 14 de janeiro de 1976 nos Estados Unidos e rapidamente conquistou espaço, tornando-se um marco da cultura pop. No Brasil, desembarcou em 1976 pela TV Bandeirantes, trazendo consigo não apenas uma história empolgante, mas também uma dublagem que se tornaria referência, realizada pelo estúdio Herbert Richers.


 

O Nascimento de uma Lenda Biônica

Tudo começou com uma participação especial em O Homem de Seis Milhões de Dólares. Em 1975, Lindsay Wagner deu vida à ex-tenista Jaime Sommers, namorada de infância de Steve Austin (Lee Majors). Após sofrer um acidente de paraquedas, Jaime ficou entre a vida e a morte. Foi então submetida a uma cirurgia experimental, recebendo implantes biônicos que lhe garantiram força sobre-humana, superaudição e velocidade extraordinária.

O sucesso foi tão grande que, mesmo após a personagem ser “morta” em sua primeira aparição, a reação do público fez os produtores voltarem atrás. Cartas, ligações e a pressão dos fãs convenceram a Universal a criar uma série própria para a personagem. Assim, nasceu A Mulher Biônica, exibida entre 1976 e 1978, totalizando 58 episódios em 3 temporadas.

Um diferencial da produção foi o tom mais leve. Enquanto O Homem de Seis Milhões de Dólares seguia uma linha mais séria, A Mulher Biônica equilibrava espionagem e ação com pitadas de humor, sempre sustentadas pelo carisma de Wagner.


 

Uma Heroína na Televisão Brasileira

No Brasil, A Mulher Biônica estreou em 7 de outubro de 1976, na TV Bandeirantes, exibida às quintas-feiras no horário nobre. A recepção foi imediata: homens admiravam a beleza e a força da protagonista, enquanto meninas e adolescentes encontraram nela um símbolo feminino de coragem e independência.

O seriado ficou na Band até 1981, depois passou para a Rede Globo em 1982, dentro da Sessão Aventura, permanecendo até 1985. Em 1987, ganhou espaço na TV Record, no programa Teverama, exibido aos sábados à noite.

Nos anos 90, foi redescoberto pelo canal pago USA Network (1996–1999), em pacote com O Homem de Seis Milhões de Dólares. Já em 2010, retornou pela Rede Brasil, agora para uma geração nostálgica que desejava reviver a magia dos anos 70.


 

As Vozes que Deram Vida 

Se A Mulher Biônica marcou época, parte desse sucesso no Brasil se deve à dublagem da Herbert Richers, dirigida por Alberto Perez. A protagonista Jaime Sommers ganhou a voz marcante de Marlene Costa, que imprimiu delicadeza, firmeza e emoção à personagem, acompanhando cada nuance da interpretação de Lindsay Wagner.

Ao lado dela, Maurício Barroso emprestou autoridade e serenidade a Oscar Goldman, o chefe da OSI, enquanto Waldir Fiori trouxe sobriedade ao Dr. Rudy Wells. Até o Coronel Steve Austin, vivido por Lee Majors, manteve sua imponência com a voz do excepcional André Filho.

Essa dublagem ficou tão enraizada no imaginário dos fãs que muitos ainda hoje associam mais as vozes brasileiras como sendo as verdadeiras dos atores americanos. Foi um trabalho que uniu técnica e emoção, e que se destaca como um dos melhores da Herbert Richers no período.


 

Mais do que Ação 

A força da série não se limitou às telas. A Mulher Biônica virou mania mundial. Brinquedos, bonecas, álbuns de figurinhas e até quadrinhos inundaram o mercado, consolidando Jaime Sommers como a primeira grande super-heroína da televisão.

O sucesso foi tanto que a série ousou apresentar até um cão biônico, Max, introduzido como experimento do projeto biônico. A adição deu ainda mais proximidade do público infantil, reforçando o apelo da série em diferentes idades.

Em 1977, Lindsay Wagner foi premiada com o Emmy de Melhor Atriz em Série Dramática, coroando não apenas seu talento, mas também o impacto que a personagem teve em quebrar padrões de gênero na televisão.


 

O Último Salto 

O episódio final, A Fuga, exibido em 13 de maio de 1978, mostrou Jaime Sommers questionando a vida de sacrifício e obrigações diante do governo, pedindo mais liberdade pessoal. Um final agridoce, mas que deixou claro o caráter humano da personagem: mesmo biônica, Jaime queria ser dona do próprio destino.

Décadas depois, A Mulher Biônica permanece viva na memória afetiva de fãs em todo o mundo. Seu legado vai além dos efeitos especiais e da ficção científica. Jaime Sommers representou força, inteligência e sensibilidade, abrindo caminho para outras heroínas que viriam depois.

No Brasil, além da exibição contínua em diferentes emissoras, a série segue lembrada como um marco da era de ouro da dublagem, com vozes que ajudaram a eternizar uma das maiores heroínas da TV.

 

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Izaías Correia
Professor, roteirista e web-designer, responsável pelo site InfanTv. Também é pesquisador da dublagem brasileira.

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