The Houndcats
Missão Quase Impossível
- de 06/09/1972 a 02/12/1972.
- 1 temporada (13 episódios).
- DePatie-Freleng Enterprises.

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:
?
ESTÚDIO DE DUBLAGEM:
Telecine
MÍDIAS:
Televisão
Elenco Principal








Outros


A Dublagem
Lançado nos Estados Unidos em 9 de setembro de 1972, The Houndcats era uma aposta ousada dos estúdios DePatie-Freleng Enterprises, não apenas por ser uma sátira do clássico Missão Impossível, mas por unir cães e gatos como parceiros secretos num enredo recheado de ação e humor.
No Brasil, o desenho estreou como Missão Quase Impossível e conquistou o público ao ser exibido na TV Globo, no icônico programa Globo Cor Especial, nas noites de sexta-feira durante os anos 70. Essa estreia marcou o encontro do público brasileiro com um herói… ou melhor, heróis de quatro patas e muito estilo.
Produção, enredo e o charme canino-felino
Num tempo em que o faro apurado impunha ordem a bandidos, Missão Quase Impossível trouxe à vida um grupo peculiar formado por três cães e dois gatos operando como agentes secretos no início do século XX.
Inspirado na famosa série televisiva dos espiões, o desenho parodiou aquele momento emblemático: ao receberem uma mensagem do “Chefe”, os personagens viam o aviso “esta gravação se autodestruirá em cinco segundos” — e logo saíam correndo, numa explosão que sempre terminava inofensiva.
O líder felino, Estúpido (Stutz no original), era o cérebro do grupo… com planos absurdos que rendiam muitas risadas. Seu parceiro Cabeçudo (Ding Dog), sempre impressionado, lembrava ao público que inteligência nem sempre é suficiente.
Garrinha (Putty Puss) era o mestre dos disfarces; Mixuruca (Mussel Mutt), com sua força bruta, contrastava com o pequeno gênio Rebarba (Rhubarb), cuja mente criativa e seu sobretudo recheado de engenhocas eram sua marca registrada — sua cara, curiosamente, nunca aparecia, escondida sob um sombrero.
Tudo isso embalado pelos traços ágeis dos animadores da DFE, os mesmos por trás da Pantera Cor-de-Rosa e outros clássicos da animação dos anos 60 e 70.
Missão Brasil
Na tela da Globo, o desenho ganhou uma aura nostálgica ao integrar as sessões de sexta à noite, fazendo as famílias rirem juntas com suas aventuras antropomórficas.
Apesar de ter apenas uma temporada — 13 episódios com cerca de 20 minutos cada um — o título deixou sua marca. Reprises em emissoras como SBT e TV Gazeta (dentro do Gazetinha) ajudaram a estender o legado, deixando gerações com saudades do timbre de voz dos agentes peludos.
Nos anos 80, o retorno do desenho veio via VHS pela Mundial Filmes. A redublagem feita pelo estúdio Pré-estreia manteve o título original e os nomes dos personagens, preservando o charme original da versão brasileira.
A dublagem brasileira sob o foco do microfone
A dublagem brasileira de Missão Quase Impossível merece atenção. Os personagens ganharam personalidade nas vozes de talentos reconhecidos: Rebarba foi dublado por Francisco Milani, cuja entonação astuta e bem-humorada trouxe imediatamente à mente o gênio escondido sob o sombrero; Mixuruca recebeu a voz de Milton Luís, que emprestou robustez e boa dose de ingenuidade ao forte, porém meio atrapalhado sheep-dog; já Garrinha ficou por conta de Waldyr Sant’Anna, que com sua voz esperta e versátil destacou bem o mestre dos disfarces.
Estas escolhas não foram apenas técnicas, mas estratégicas — tornaram o trio marcante e memorável. Francisco Milani, com sua voz carregada de malícia e sabedoria condizente com o pequeno inventor, trouxe ao personagem um equilíbrio perfeito entre fofura e inteligência. Milton Luís articulou Mixuruca com aquele tom de bom moço meio confuso, tornando-o simpático imediatamente. E Waldyr Sant’Anna deu a Garrinha o tom exato da astúcia felina, reforçando o papel central do mestre dos disfarces no time.
O desenho foi redublado para versão em VHS onde recebeu o nome de Missão Quase Imprevisível.
Por que Missão Quase Impossível ainda importa?
O desenho cativou com sua originalidade. Misturar cães e gatos como agentes secretos satirizava Missão Impossível com leveza, sem perder o senso de aventura — uma combinação rara e eficaz na animação clássica.
A estética steampunk de espionagem de 1914, as engenhocas divertidas, o humor físico e os personagens antropomórficos memoráveis deixaram sua marca. Culturalmente, foi um retrato da irreverência dos anos 70: a animação ousava com narrativa e design diferentes daquilo que era comum nas manhãs de sábado.
Hoje, Missão Quase Impossível é lembrada com carinho por quem viveu aquela época — uma relíquia de humor inocente e criatividade visual. A dublagem, em particular, elevou o desenho no Brasil, criando mitos sonoros ainda vívidos na memória.








