Gloyzer X
Pirata do Espaço
- 01/07/1976 a 31/03/1977.
- 1 temporada (36 episódios).
- Dynamic Animation e Knack Animation.

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:
Mário Monjardim
ESTÚDIO DE DUBLAGEM:
Herbert Richers
MÍDIAS:
Televisão
Elenco Principal










Aparições Recorrentes
Outros
A Dublagem
Em meados dos anos 70, o Japão fervilhava com a febre dos animes de robôs gigantes, um gênero que ganhava cada vez mais espaço na TV e nos mangás. Foi nesse contexto que nasceu O Pirata do Espaço (Groizer X), produzido entre 1º de julho de 1976 e 31 de março de 1977 pelos estúdios Dynamic Animation e Knack Animation, com 36 episódios em uma temporada.
A série, criada por Go Nagai em parceria com Gosaku Sakurada, seguia a linha dos mechas que já começavam a conquistar crianças e adolescentes pelo mundo. Embora não tenha sido um grande sucesso no Japão, encontrou no Brasil um de seus públicos mais fiéis, graças à sua exibição na Rede Manchete e, sobretudo, à inesquecível dublagem realizada pela Herbert Richers, sob direção de Mário Monjardim.
Entre naves e paixões: a trama de Groizer X
O enredo de Pirata do Espaço misturava ficção científica e drama humano. A história começa quando a nave de exploração Gelmos, vinda do planeta Gailar, sofre avarias após testes nucleares realizados na Terra e cai em nosso planeta. O cruel Imperador Geldon aproveita-se da situação para erguer uma base no Polo Norte e iniciar um plano de conquista mundial. Para isso, sequestra o cientista Professor Yan e o obriga a construir uma supernave capaz de atacar o Japão.
Assim nasce o Pirata do Espaço, uma nave futurista que se transforma em robô de combate, equipada com mísseis, raios e o poderoso Torpedo-Voador.
No entanto, o professor Yan planeja usar sua criação para fugir com sua filha Rita, mas acaba morto pelos soldados de Geldon. Sozinha, Rita foge com a nave e encontra refúgio na Ilha Akane, onde passa a lutar ao lado do piloto Joe Kaiasaka e da equipe do Professor Tobishima.
Dessa união nasce tanto a resistência contra o Império Gailar quanto um romance entre Rita e Joe, marcado pelo dilema da jovem que precisa combater o próprio povo.
Apesar das batalhas explosivas contra os robôs inimigos, a trama se destaca pelos conflitos internos dos personagens, como o dilema de Rita e a arrogância transformada de Joe. Essa mistura de ação e drama ajudou a consolidar a série como um marco afetivo para quem a acompanhou no Brasil.
Do Japão à Manchete: a chegada ao Brasil
No Japão, Groizer X sofreu com a pouca presença do robô em cena – ele aparece em apenas 12 dos 36 episódios – o que prejudicou sua popularidade. Mas no Brasil, o anime encontrou terreno fértil.
A Rede Manchete o exibiu entre 1983 e 1985, dentro do programa Clube da Criança, apresentado por Xuxa. Curiosamente, a abertura original foi substituída por uma marchinha inesquecível que grudou na memória das crianças da época, tornando-se parte da identidade da série em português.
Mais tarde, em 1994, a CNT reprisou o desenho no programa Tudo Por Brinquedo, apresentado por Mariane, mas com cortes frequentes na abertura e encerramento, além da exibição fora de ordem, o que acabou prejudicando a experiência dos fãs. Ainda assim, o Pirata do Espaço já havia garantido um lugar especial no coração do público brasileiro.
Vozes que marcaram gerações: a dublagem brasileira
Se a animação original tinha falhas, foi a dublagem brasileira que fez do Pirata do Espaço um clássico inesquecível. Realizada pela Herbert Richers, sob a direção de Mário Monjardim, a versão em português escalou um time de dubladores lendários.
Joe Kaiasaka, o herói piloto, ganhou vida com a voz firme de Cleonir dos Santos, que transmitia tanto coragem quanto o ar inicialmente arrogante do personagem. Rita Yan, vivida por Maria da Penha, recebeu uma interpretação delicada e emocionante, que reforçava o dilema da personagem dividida entre o amor e a lealdade ao seu povo.
O sábio Professor Tobishima foi dublado por Ionei Silva, trazendo gravidade e disciplina às suas falas, enquanto o veterano Baku ganhou carisma na voz de Dario Lourenço.
Entre os vilões, o destaque vai para Sílvio Navas como o temível Imperador Geldon, emprestando sua voz marcante a um antagonista frio e cruel. Orlando Drummond deu vida ao sinistro Marechal Dogus, enquanto André Luís “Chapéu” interpretava o General Dagar, vilão cheio de ambições próprias.
Outro grande nome foi Isaac Bardavid, que dublou o Chefe Yoshida, trazendo sua voz imponente que ficaria marcada na dublagem de inúmeros personagens icônicos. Marisa Leal também deixou sua marca ao interpretar o jovem Sabu, transmitindo energia e entusiasmo juvenil.
O elenco se completava com vozes consagradas como Garcia Júnior, Newton da Matta e Orlando Prado em participações recorrentes, reforçando o nível altíssimo da produção.
A dublagem brasileira não apenas adaptou os diálogos, mas também transmitiu emoção, peso dramático e carisma aos personagens, elevando a experiência e garantindo que O Pirata do Espaço fosse lembrado mesmo décadas depois de sua exibição.
Uma nave que virou memória
Mesmo sem o sucesso esperado no Japão, O Pirata do Espaço se tornou um anime cult no Brasil. Parte de seu legado está na forma como marcou a infância de quem o assistiu na Rede Manchete, com suas batalhas espaciais, sua abertura adaptada e, acima de tudo, suas vozes inesquecíveis.
O anime também se insere na história como um dos primeiros contatos do público brasileiro com o gênero mecha. Para os fãs de hoje, rever episódios de Pirata do Espaço não é apenas acompanhar a luta de Joe e Rita contra o Império Gailar, mas revisitar um pedaço da infância, embalado pela magia da dublagem brasileira que transformou uma série mediana em um verdadeiro clássico afetivo.
























