CHiPs
CHiPs
- 15/09/1977 a 01/05/1983.
- 6 (139 episódios).
- MGM Television e Rosner Television.

DIREÇÃO DE DUBLAGEM:
Neide Pavani
ESTÚDIO DE DUBLAGEM:
BKS
MÍDIAS:
Televisão e DVD
Elenco Principal









Aparições Recorrentes










Outros




Outros
Quando o ronco das motocicletas da polícia rodoviária da Califórnia invadiu a televisão brasileira no final dos anos 70, uma geração inteira passou a sonhar com capacetes reluzentes, perseguições cinematográficas e o charme irresistível do policial Ponch. CHiPs, acrônimo de California Highway Patrol, não era só mais um seriado policial — era o retrato solar da Califórnia setentista, embalada por trilhas vibrantes, velocidade e camaradagem.
Produzida entre 1977 e 1983, a série atravessou fronteiras e décadas com seu espírito leve e aventuresco. No Brasil, virou fenômeno popular e foi presença constante em quase todas as emissoras abertas ao longo dos anos 80 e início dos 90. Mas o que fazia CHiPs tão única? Uma combinação certeira de ação, amizade, dublagem marcante e aquele clima ensolarado que parecia durar o ano inteiro.
Alta Velocidade, Amizade e Estilo: A Produção e o Enredo
Criada por Rick Rosner e produzida pela MGM Television em parceria com a Rosner Television, CHiPs tinha a receita ideal do entretenimento popular: dois patrulheiros carismáticos, casos da semana com altas doses de ação, e uma estética vibrante que misturava o policial, o cômico e o juvenil.
Os protagonistas eram o impulsivo e espirituoso Frank “Ponch” Poncherello (Erik Estrada), latino, vaidoso e aventureiro, e o loiro e calmo Jonathan “Jon” Baker (Larry Wilcox), seu parceiro mais racional e diplomático. Juntos, eles patrulhavam as rodovias da Califórnia, quase sempre em motocicletas Kawasaki, lidando com assaltos, acidentes, perseguições e até resgates dramáticos — tudo com o carisma de quem está pronto para estampar um pôster.
Ao fundo, o sempre preocupado Sargento Joe Getraer (Robert Pine) completava o trio central. A série evitava o uso de armas e focava mais na ação e resolução criativa dos conflitos. Outra marca registrada era a trilha sonora: a primeira temporada teve tema composto por John Parker, mas foi o vibrante rearranjo de Alan Silvestri — que mais tarde assinaria sucessos como De Volta para o Futuro — que eternizou a abertura da série a partir da segunda temporada.
Apesar do sucesso inicial, mudanças no elenco, conflitos nos bastidores e a saída temporária de Erik Estrada acabaram minando a audiência. A série foi encerrada em sua sexta temporada, em 1983 — mas o legado já estava selado.
CHiPs Estaciona no Coração dos Brasileiros
CHiPs chegou às telas brasileiras em 1979, desembarcando com todo o brilho californiano na programação da TVS, canal embrionário do SBT. Logo ganhou espaço nas tardes da emissora, conquistando o público com suas perseguições eletrizantes, cenários ensolarados e o carisma explosivo de Ponch ao lado da serenidade de Baker. A série permaneceu na TVS até 1982, consolidando ali sua base de fãs iniciais.
Em junho de 1982, o seriado migrou para a Rede Record, onde ficou até o final de 1985, mantendo o fôlego com exibições regulares. O apelo da dupla de patrulheiros era tão forte que, mesmo com o tempo passando, a série não perdeu sua popularidade. Em 1988, encontrou novo lar na Rede Bandeirantes, e no mesmo ano passou a ser exibida também pela Rede Manchete, permanecendo na grade até 1993.
Já nos anos 90, CHiPs teve espaço na TV por assinatura, com exibições no canal TNT, e mais tarde, em 2007, ressurgiu no TCM. Sua última volta ao ar em rede aberta aconteceu entre maio e julho de 2009, quando a Rede Brasil resgatou a série, agora cultuada por nostálgicos e novas gerações curiosas.
Mais do que um simples seriado policial, CHiPs se transformou num verdadeiro fenômeno entre crianças e adultos brasileiros, criando uma legião de fãs que vibrava a cada salto de moto, sirene ligada ou piada entre parceiros. A chegada da série por aqui foi mais do que uma importação — foi uma adoção nacional.
Patrulheiros com Voz Brasileira
Quando CHiPs foi adquirido pela TVS em 1979, a dublagem ficou a cargo do estúdio BKS, em São Paulo. A direção foi da experiente Neide Pavani, que reuniu um elenco de vozes fortes e expressivas, à altura da ação vibrante da série.
Para dar vida ao carismático Frank Poncherello, interpretado por Erik Estrada, foi escalado Ricardo Marigo, ainda um nome pouco conhecido na dublagem da época. Sua voz, no entanto, caiu como uma luva no personagem, com o tom ousado e descontraído que Ponch pedia. Já o parceiro John Baker, vivido por Larry Wilcox, foi inicialmente dublado por Aníbal Munhoz, mas logo a voz do patrulheiro passou a ser de Hamilton Ricardo, que ficou associado ao personagem até o fim da série.
O comando da base, Sargento Joe Getraer, foi interpretado por Robert Pine e recebeu na versão brasileira a voz experiente de Gervásio Marques na primeira temporada, sendo depois substituído por Renato Márcio e posteriormente Carlos Campanile, que seguiu até o final da série.
Outros nomes também deixaram sua marca. Ismael Vieira, levado ao estúdio por Hamilton Ricardo, dublou o mecânico Harlan Arliss, papel que só mudaria de voz na sexta temporada. Márcia Gomes emprestou sua voz à patrulheira Bonnie Clark, enquanto Waldyr de Oliveira fez o bom e atrapalhado Grossman. Marcelo Belo, que dublou Barry Baricza, seria depois substituído por Leonardo Camillo.
A dublagem de CHiPs foi além da técnica: foi responsável por aproximar os personagens do público brasileiro. A adaptação era feita com cuidado, trazendo naturalidade aos diálogos e criando uma identificação emocional entre as vozes e os fãs. As vozes dubladas se tornavam os sons oficiais daqueles heróis — e ajudaram a eternizar a série no imaginário de gerações.
Entre Sirenes, Rodovias e Memórias
Mais do que uma série policial de ação, CHiPs se tornou um ícone cultural. Na televisão norte-americana, ajudou a definir um novo modelo de entretenimento misturando patrulha, velocidade, bom humor e uma estética solar que marcaria época. No Brasil, o impacto foi imediato e duradouro — a ponto de transformar os patrulheiros da Califórnia em verdadeiros heróis nacionais nos anos 1980.
Com suas constantes exibições na TV aberta e posteriormente em canais pagos como TNT e TCM, CHiPs foi descoberto e redescoberto por diferentes gerações. Crianças colecionavam miniaturas das motos da patrulha, usavam capacetes e fardas com o logo da série — o merchandising chegou a rivalizar com o dos super-heróis da época. A Glasslite lançou brinquedos licenciados e até roupas inspiradas nos personagens, em uma campanha que reforçava o apelo familiar e juvenil da série.
O sucesso também pavimentou o caminho para outras produções de temática semelhante, ajudando a consolidar o gosto do público brasileiro por seriados policiais com dupla de protagonistas. Muitos dubladores envolvidos — como Hamilton Ricardo, Ricardo Marigo e Márcia Gomes — passaram a ser reconhecidos pelas vozes da série, e até hoje são lembrados com carinho pelos fãs.
Mesmo após seu fim, CHiPs resistiu ao tempo. A série ganhou um telefilme em 1998 reunindo os personagens originais, e foi reinterpretada com humor em um longa-metragem lançado em 2017. Mas nenhum revival substitui o frescor e o carisma da série original, com suas corridas pelas estradas californianas, explosões de ação e aquele tom leve, quase ingênuo, de uma televisão feita para toda a família.
CHiPs ficou para sempre na memória — como ronco de motor no asfalto quente da infância.




















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