{"id":282,"date":"2022-06-29T20:31:08","date_gmt":"2022-06-29T20:31:08","guid":{"rendered":"http:\/\/dublagembrasileira.com.br\/?p=282"},"modified":"2025-06-20T23:45:35","modified_gmt":"2025-06-20T23:45:35","slug":"a-dublagem-no-cinema-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dublagembrasileira.com.br\/?p=282","title":{"rendered":"Ba\u00fa da Dublagem: A dublagem no cinema brasileiro."},"content":{"rendered":"<h4><em><strong>O motivo das produ\u00e7\u00f5es cinematogr\u00e1ficas brasileiras serem dubladas no in\u00edcio da sua trajet\u00f3ria e como isso acontecia.<\/strong><\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O problema do \u00e1udio nos filmes nacionais sempre foi uma esp\u00e9cie de \u201cpersegui\u00e7\u00e3o&#8221; a qual nunca pode escapar. Com efeito, se relembrarmos as chanchadas da d\u00e9cada de 1940, a grande sa\u00edda era torn\u00e1-las um musical, a fim de que pouco se percebesse a grande dificuldade de uma capta\u00e7\u00e3o do som, mesmo dentro de um cen\u00e1rio, em externas era imposs\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O editor de som, microfonista e compositor de trilha musical Gustavo de Souza opina: &#8220;duran-te muito tempo o som de filmes brasileiros era inaud\u00edvel. Hoje, a situa\u00e7\u00e3o melhorou bastante. Mesmo assim \u00e9 poss\u00edvel observar falhas de capta\u00e7\u00e3o. Ser\u00e1 um problema de equipamento? N\u00e3o! Este aspecto faz parte de uma caracter\u00edstica da escola brasileira de fazer cinema, que n\u00e3o d\u00e1 a import\u00e2ncia necess\u00e1ria ao som.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Aqui, devemos frisar que as salas de cinema tamb\u00e9m n\u00e3o estavam preparadas para os filmes brasileiros, j\u00e1 os longas americanos n\u00e3o demonstravam essa quest\u00e3o por dois motivos: o investimento no \u00e1udio era muito superior ao nosso e, mesmo que algum filme apresentasse um som mais dif\u00edcil, todos entendiam, porque simplesmente tinham as legendas para solucionar a compreens\u00e3o dos di\u00e1logos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_284\" aria-describedby=\"caption-attachment-284\" style=\"width: 704px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-284 size-full\" src=\"http:\/\/dublagembrasileira.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/pagador.jpg\" alt=\"\" width=\"704\" height=\"496\" srcset=\"https:\/\/dublagembrasileira.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/pagador.jpg 704w, https:\/\/dublagembrasileira.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/pagador-300x211.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 704px) 100vw, 704px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-284\" class=\"wp-caption-text\">O Pagador de Promessas, a obra-prima de Anselmo Duarte precisou ser dublada.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8220;A d\u00e9cada de 1950 marca, em S\u00e3o Paulo, a tentativa de se implantar a ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica, juntamente com a inaugura\u00e7\u00e3o de um importante movimento teatral, marcado pela funda\u00e7\u00e3o do TBC (Teatro Brasileiro de Com\u00e9dia) e a implementa\u00e7\u00e3o das artes pl\u00e1sticas, abrindo as portas do MAM (Museu de Arte Moderna). A funda\u00e7\u00e3o da Vera Cruz fez parte de um projeto est\u00e9tico cultural mais amplo, que previa para S\u00e3o Paulo a vitaliza\u00e7\u00e3o da vida cultural, conduzida pela burguesia industrial buscando uma hegemonia na vida pol\u00edtica e cultural do pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A produ\u00e7\u00e3o da Vera Cruz era caracterizada por um sistema de est\u00fadios, com a preocupa\u00e7\u00e3o de produzir industrialmente seus filmes, que constitu\u00edam dramas universais, no melhor estilo hollywoodiano, lan\u00e7ando no mercado um verdadeiro star-system composto por nomes como de T\u00f4nia Carrero, Anselmo Duarte, Jardel Filho, Marisa Prado, Eliane Lage entre outros:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8220;O grande salto dado pela Vera Cruz foi sem d\u00favida o qualitativo t\u00e9cnico, pois era bem equipada, contava uma equipe t\u00e9cnica &#8211; maior parte estrangeira &#8211; que trazia consigo a experi\u00eancia de fora, suas produ\u00e7\u00f5es traduziam a preocupa\u00e7\u00e3o de ser um cinema s\u00e9rio, bem diferente das chanchadas cariocas produzidas pela Atl\u00e2ntida. No entanto os motivos de fracasso do est\u00fadio s\u00e3o, entre outros, alto custo dos seus filmes, a aus\u00eancia de uma distribuidora pr\u00f3pria &#8211; sofrendo dificuldades de escoar seus produtos ao mercado e salas de cinema brasileiras.<\/p>\n<p><strong>Dublar \u00e9 a Solu\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 nesse per\u00edodo (1950-54), que surge a ideia da dublagem dos filmes nacionais, assim, com o som de est\u00fadio, o telespectador conseguiria compreender muito bem. Mas, estamos falando do in\u00edcio da d\u00e9cada de 1950, quando a dublagem nem existia para a televis\u00e3o, era algo ainda muito arrojado. Dessa forma, a op\u00e7\u00e3o natural era que os pr\u00f3prios atores fizessem a dublagem de seus personagens, por\u00e9m nem todos conseguiam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Grandes problemas come\u00e7aram a ocorrer, uma vez que a maioria dos atores n\u00e3o conseguia realizar a dublagem. Ap\u00f3s algumas tentativas, Adolfo Celi resolveu convidar radioatores, que dublaram nos pr\u00f3prios est\u00fadios da Vera Cruz. Assim, a atriz Eliane Lage ficou com a voz da radioatriz Gessy Fonseca. O problema persistiu por muito tempo e, \u00e9 l\u00f3gico, que o p\u00fablico sempre criticou o \u00e1udio do cinema nacional. A falta de incentivo do governo brasileiro \u00e0 Cultura, os altos custos para equipamentos sempre fizeram que o cinema nacional recorresse \u00e0 dublagem.<\/p>\n<figure id=\"attachment_285\" aria-describedby=\"caption-attachment-285\" style=\"width: 704px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-285 size-full lazyload\" data-src=\"http:\/\/dublagembrasileira.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/zecaixao.jpg\" alt=\"\" width=\"704\" height=\"496\" data-srcset=\"https:\/\/dublagembrasileira.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/zecaixao.jpg 704w, https:\/\/dublagembrasileira.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/zecaixao-300x211.jpg 300w\" data-sizes=\"(max-width: 704px) 100vw, 704px\" src=\"data:image\/svg+xml;base64,PHN2ZyB3aWR0aD0iMSIgaGVpZ2h0PSIxIiB4bWxucz0iaHR0cDovL3d3dy53My5vcmcvMjAwMC9zdmciPjwvc3ZnPg==\" style=\"--smush-placeholder-width: 704px; --smush-placeholder-aspect-ratio: 704\/496;\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-285\" class=\"wp-caption-text\">O dublador Arak\u00e9n Saldanha era a voz do Z\u00e9 do Caix\u00e3o.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">Ap\u00f3s o in\u00edcio da dublagem para a televis\u00e3o, com est\u00fadios em S\u00e3o Paulo e no Rio de Janeiro, adotou-se como pr\u00e1tica comum a finaliza\u00e7\u00e3o sonora num est\u00fadio de dublagem durante toda a d\u00e9cada de 1960, 70 e at\u00e9 quase o final da de 80. Em S\u00e3o Paulo, em 1963, com o surgimento do est\u00fadio Odil Fono Brasil, abriu-se um grande canal para as dublagens do cinema brasileiro. A AIC, praticamente, era dominada para as dublagens de filmes americanos, desenhos e s\u00e9ries de TV.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sendo assim a Odil foi um est\u00fadio que talvez tenha realizado um n\u00famero maior de finaliza\u00e7\u00f5es sonoras para filmes brasileiros, ganhando at\u00e9 do est\u00fadio Herbert Richers. Embora a AIC tenha dublado diversos filmes brasileiros, principalmente os produzidos por Z\u00e9 do Caix\u00e3o, a Odil Fono Brasil e a Herbert Richers foram os dois est\u00fadios que mais dublaram filmes nacionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Dessa forma, em todos os filmes criou-se algo muito curioso: t\u00ednhamos as vozes dos atores principais (quando conseguiam dublar os seus personagens) e dubladores conhecidos para personagens secund\u00e1rios, \u00e0s vezes, at\u00e9 para os protagonistas. No filme &#8220;Um Certo Capit\u00e3o Rodrigo&#8221;, produzido na d\u00e9dada de 1970, protagonizado pelo falecido ator Francisco Di Franco, encontramos a voz do dublador Lauro Fabiano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A situa\u00e7\u00e3o do \u00e1udio no cinema brasileiro \u00e9 algo que at\u00e9 hoje ainda n\u00e3o est\u00e1 totalmente resolvido, devido aos altos custos para investimento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O motivo das produ\u00e7\u00f5es cinematogr\u00e1ficas brasileiras serem dubladas no in\u00edcio da sua trajet\u00f3ria e como isso acontecia. &nbsp; O problema do \u00e1udio nos filmes nacionais sempre foi uma esp\u00e9cie de \u201cpersegui\u00e7\u00e3o&#8221; a qual nunca pode escapar. 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Este aspecto faz parte de uma caracter\u00edstica da escola brasileira de fazer cinema, que n\u00e3o d\u00e1 a import\u00e2ncia necess\u00e1ria ao som.&#8221; Aqui, devemos frisar que as salas de cinema tamb\u00e9m n\u00e3o estavam preparadas para os filmes brasileiros, j\u00e1 os longas americanos n\u00e3o demonstravam essa quest\u00e3o por dois motivos: o investimento no \u00e1udio era muito superior ao nosso e, mesmo que algum filme apresentasse um som mais dif\u00edcil, todos entendiam, porque simplesmente tinham as legendas para solucionar a compreens\u00e3o dos di\u00e1logos. &#8220;A d\u00e9cada de 1950 marca, em S\u00e3o Paulo, a tentativa de se implantar a ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica, juntamente com a inaugura\u00e7\u00e3o de um importante movimento teatral, marcado pela funda\u00e7\u00e3o do TBC (Teatro Brasileiro de Com\u00e9dia) e a implementa\u00e7\u00e3o das artes pl\u00e1sticas, abrindo as portas do MAM (Museu de Arte Moderna). 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A produ\u00e7\u00e3o da Vera Cruz era caracterizada por um sistema de est\u00fadios, com a preocupa\u00e7\u00e3o de produzir industrialmente seus filmes, que constitu\u00edam dramas universais, no melhor estilo hollywoodiano, lan\u00e7ando no mercado um verdadeiro star-system composto por nomes como de T\u00f4nia Carrero, Anselmo Duarte, Jardel Filho, Marisa Prado, Eliane Lage entre outros: &#8220;O grande salto dado pela Vera Cruz foi sem d\u00favida o qualitativo t\u00e9cnico, pois era bem equipada, contava uma equipe t\u00e9cnica &#8211; maior parte estrangeira &#8211; que trazia consigo a experi\u00eancia de fora, suas produ\u00e7\u00f5es traduziam a preocupa\u00e7\u00e3o de ser um cinema s\u00e9rio, bem diferente das chanchadas cariocas produzidas pela Atl\u00e2ntida. No entanto os motivos de fracasso do est\u00fadio s\u00e3o, entre outros, alto custo dos seus filmes, a aus\u00eancia de uma distribuidora pr\u00f3pria &#8211; sofrendo dificuldades de escoar seus produtos ao mercado e salas de cinema brasileiras. Dublar \u00e9 a Solu\u00e7\u00e3o. \u00c9 nesse per\u00edodo (1950-54), que surge a ideia da dublagem dos filmes nacionais, assim, com o som de est\u00fadio, o telespectador conseguiria compreender muito bem. Mas, estamos falando do in\u00edcio da d\u00e9cada de 1950, quando a dublagem nem existia para a televis\u00e3o, era algo ainda muito arrojado. Dessa forma, a op\u00e7\u00e3o natural era que os pr\u00f3prios atores fizessem a dublagem de seus personagens, por\u00e9m nem todos conseguiam. Grandes problemas come\u00e7aram a ocorrer, uma vez que a maioria dos atores n\u00e3o conseguia realizar a dublagem. Ap\u00f3s algumas tentativas, Adolfo Celi resolveu convidar radioatores, que dublaram nos pr\u00f3prios est\u00fadios da Vera Cruz. Assim, a atriz Eliane Lage ficou com a voz da radioatriz Gessy Fonseca. O problema persistiu por muito tempo e, \u00e9 l\u00f3gico, que o p\u00fablico sempre criticou o \u00e1udio do cinema nacional. A falta de incentivo do governo brasileiro \u00e0 Cultura, os altos custos para equipamentos sempre fizeram que o cinema nacional recorresse \u00e0 dublagem. Ap\u00f3s o in\u00edcio da dublagem para a televis\u00e3o, com est\u00fadios em S\u00e3o Paulo e no Rio de Janeiro, adotou-se como pr\u00e1tica comum a finaliza\u00e7\u00e3o sonora num est\u00fadio de dublagem durante toda a d\u00e9cada de 1960, 70 e at\u00e9 quase o final da de 80. Em S\u00e3o Paulo, em 1963, com o surgimento do est\u00fadio Odil Fono Brasil, abriu-se um grande canal para as dublagens do cinema brasileiro. A AIC, praticamente, era dominada para as dublagens de filmes americanos, desenhos e s\u00e9ries de TV. 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Este aspecto faz parte de uma caracter\u00edstica da escola brasileira de fazer cinema, que n\u00e3o d\u00e1 a import\u00e2ncia necess\u00e1ria ao som.&#8221; Aqui, devemos frisar que as salas de cinema tamb\u00e9m n\u00e3o estavam preparadas para os filmes brasileiros, j\u00e1 os longas americanos n\u00e3o demonstravam essa quest\u00e3o por dois motivos: o investimento no \u00e1udio era muito superior ao nosso e, mesmo que algum filme apresentasse um som mais dif\u00edcil, todos entendiam, porque simplesmente tinham as legendas para solucionar a compreens\u00e3o dos di\u00e1logos. &#8220;A d\u00e9cada de 1950 marca, em S\u00e3o Paulo, a tentativa de se implantar a ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica, juntamente com a inaugura\u00e7\u00e3o de um importante movimento teatral, marcado pela funda\u00e7\u00e3o do TBC (Teatro Brasileiro de Com\u00e9dia) e a implementa\u00e7\u00e3o das artes pl\u00e1sticas, abrindo as portas do MAM (Museu de Arte Moderna). A funda\u00e7\u00e3o da Vera Cruz fez parte de um projeto est\u00e9tico cultural mais amplo, que previa para S\u00e3o Paulo a vitaliza\u00e7\u00e3o da vida cultural, conduzida pela burguesia industrial buscando uma hegemonia na vida pol\u00edtica e cultural do pa\u00eds. A produ\u00e7\u00e3o da Vera Cruz era caracterizada por um sistema de est\u00fadios, com a preocupa\u00e7\u00e3o de produzir industrialmente seus filmes, que constitu\u00edam dramas universais, no melhor estilo hollywoodiano, lan\u00e7ando no mercado um verdadeiro star-system composto por nomes como de T\u00f4nia Carrero, Anselmo Duarte, Jardel Filho, Marisa Prado, Eliane Lage entre outros: &#8220;O grande salto dado pela Vera Cruz foi sem d\u00favida o qualitativo t\u00e9cnico, pois era bem equipada, contava uma equipe t\u00e9cnica &#8211; maior parte estrangeira &#8211; que trazia consigo a experi\u00eancia de fora, suas produ\u00e7\u00f5es traduziam a preocupa\u00e7\u00e3o de ser um cinema s\u00e9rio, bem diferente das chanchadas cariocas produzidas pela Atl\u00e2ntida. 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Com efeito, se relembrarmos as chanchadas da d\u00e9cada de 1940, a grande sa\u00edda era torn\u00e1-las um musical, a fim de que pouco se percebesse a grande dificuldade de uma capta\u00e7\u00e3o do som, mesmo dentro de um cen\u00e1rio, em externas era imposs\u00edvel. O editor de som, microfonista e compositor de trilha musical Gustavo de Souza opina: &#8220;duran-te muito tempo o som de filmes brasileiros era inaud\u00edvel. Hoje, a situa\u00e7\u00e3o melhorou bastante. Mesmo assim \u00e9 poss\u00edvel observar falhas de capta\u00e7\u00e3o. Ser\u00e1 um problema de equipamento? N\u00e3o! Este aspecto faz parte de uma caracter\u00edstica da escola brasileira de fazer cinema, que n\u00e3o d\u00e1 a import\u00e2ncia necess\u00e1ria ao som.&#8221; Aqui, devemos frisar que as salas de cinema tamb\u00e9m n\u00e3o estavam preparadas para os filmes brasileiros, j\u00e1 os longas americanos n\u00e3o demonstravam essa quest\u00e3o por dois motivos: o investimento no \u00e1udio era muito superior ao nosso e, mesmo que algum filme apresentasse um som mais dif\u00edcil, todos entendiam, porque simplesmente tinham as legendas para solucionar a compreens\u00e3o dos di\u00e1logos. &#8220;A d\u00e9cada de 1950 marca, em S\u00e3o Paulo, a tentativa de se implantar a ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica, juntamente com a inaugura\u00e7\u00e3o de um importante movimento teatral, marcado pela funda\u00e7\u00e3o do TBC (Teatro Brasileiro de Com\u00e9dia) e a implementa\u00e7\u00e3o das artes pl\u00e1sticas, abrindo as portas do MAM (Museu de Arte Moderna). A funda\u00e7\u00e3o da Vera Cruz fez parte de um projeto est\u00e9tico cultural mais amplo, que previa para S\u00e3o Paulo a vitaliza\u00e7\u00e3o da vida cultural, conduzida pela burguesia industrial buscando uma hegemonia na vida pol\u00edtica e cultural do pa\u00eds. A produ\u00e7\u00e3o da Vera Cruz era caracterizada por um sistema de est\u00fadios, com a preocupa\u00e7\u00e3o de produzir industrialmente seus filmes, que constitu\u00edam dramas universais, no melhor estilo hollywoodiano, lan\u00e7ando no mercado um verdadeiro star-system composto por nomes como de T\u00f4nia Carrero, Anselmo Duarte, Jardel Filho, Marisa Prado, Eliane Lage entre outros: &#8220;O grande salto dado pela Vera Cruz foi sem d\u00favida o qualitativo t\u00e9cnico, pois era bem equipada, contava uma equipe t\u00e9cnica &#8211; maior parte estrangeira &#8211; que trazia consigo a experi\u00eancia de fora, suas produ\u00e7\u00f5es traduziam a preocupa\u00e7\u00e3o de ser um cinema s\u00e9rio, bem diferente das chanchadas cariocas produzidas pela Atl\u00e2ntida. No entanto os motivos de fracasso do est\u00fadio s\u00e3o, entre outros, alto custo dos seus filmes, a aus\u00eancia de uma distribuidora pr\u00f3pria &#8211; sofrendo dificuldades de escoar seus produtos ao mercado e salas de cinema brasileiras. Dublar \u00e9 a Solu\u00e7\u00e3o. \u00c9 nesse per\u00edodo (1950-54), que surge a ideia da dublagem dos filmes nacionais, assim, com o som de est\u00fadio, o telespectador conseguiria compreender muito bem. Mas, estamos falando do in\u00edcio da d\u00e9cada de 1950, quando a dublagem nem existia para a televis\u00e3o, era algo ainda muito arrojado. Dessa forma, a op\u00e7\u00e3o natural era que os pr\u00f3prios atores fizessem a dublagem de seus personagens, por\u00e9m nem todos conseguiam. Grandes problemas come\u00e7aram a ocorrer, uma vez que a maioria dos atores n\u00e3o conseguia realizar a dublagem. Ap\u00f3s algumas tentativas, Adolfo Celi resolveu convidar radioatores, que dublaram nos pr\u00f3prios est\u00fadios da Vera Cruz. 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